Utilizando o brincar na Terapia Comportamental

Independente do pressuposto teórico, o brincar é um instrumento necessário para o atendimento psicológico infantil, uma ferramenta de intervenção e de comunicação indispensável. O brincar pode significar instrumento de exploração do mundo, expressão de sentimento ou meio de comunicação.

O brincar como terapia

O brinquedo passou a ser investigado com mais seriedade a partir do final do século XIX. Analisando por uma perspectiva histórica, Freud deve ser considerado o primeiro a reconhecer a utilidade da brincadeira num processo terapêutico, com seu relato do caso do “Pequeno Hans”, entretanto ele não gostava da ideia de uma psicanálise infantil. Os trabalhos de Melanie Klein (a desenvolvedora da técnica do brincar como conhecemos atualmente), Ana Freud (que discordava de Klein em vários pontos) e Winnicott (que via o brincar como algo terapêutico em si mesmo), desde a década de 1920, são modelos de utilização da brincadeira como instrumento de entendimento da criança. Na década de 1950, Piaget observou de forma sistemática o papel do jogo nas fases do desenvolvimento infantil. Continuar lendo “Utilizando o brincar na Terapia Comportamental”

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Utilizando o brincar na Terapia Comportamental

Novembro e a luz no fim do túnel

Foi mais ou menos dessa forma que vi o mês de novembro. Muita coisa iria melhorar quando esse mês terminasse, e isso estava claro logo em seu início: os trinta dias que estavam por vir seriam duros, porém, ao final, haveria alívio. Último bimestre, últimas provas, trabalhos para serem entregues, estágio se encerrando, prazos apertados.

Dezembro iniciou-se sexta-feira, hoje é domingo, o terceiro dia do mês que encerra o ano. Consigo respirar com mais tranquilidade, afinal estou de férias, ao menos da faculdade, o que já significa uma preocupação a menos. Novembro foi puxado nos estudos, entretanto muito recompensador. O estágio prático, que ocorreu ao longo do ano e encerrou-se em novembro, parte da formação de um psicólogo, foi uma grande experiência. Tive uma ótima supervisora, grande conhecedora das técnicas da Análise do Comportamento. Aprendi muito com ela e com os atendimentos práticos. Passei a conversar com pessoas da minha sala com as quais eu não possuía um grande contanto, pois tornaram-se meus colegas de supervisão.

Apesar da correria, não deixei o blog de lado e mantive as postagens constantes, algo que gosto muito. Espero, nesses dois meses de férias, criar posts mais interessantes. Sem outras preocupações e com mais tempo livre para escrever e pensar, acho que isso será possível. Ademais, espero ler ainda mais nessas férias, hábito que mantive em novembro. Em geral, foram livros mais curtos, por conta da escassez de tempo, porém tamanho não quer dizer qualidade. Uma obra pode dizer muito em poucas páginas, isso depende da habilidade do escritor.

Seguindo um outro hábito, vamos ao ranking do mês de novembro! Continuar lendo “Novembro e a luz no fim do túnel”

Novembro e a luz no fim do túnel

Transtornos de ansiedade: uma visão analítico-comportamental

A definição de ansiedade dá-se como um estado emocional desagradável acompanhado de desconforto somático, que guarda relação com o medo. Também é frequentemente definida por três perspectivas de observação diferentes: uma com base na descrição verbal do estado interno; pela avaliação de padrões fisiológicos e comportamentais; e por meio de operações experimentais. Enquanto fenômeno clínico, define-se a ansiedade: quando implica um comportamento ocupacional do indivíduo, que comprometa suas atividades profissionais, sociais e acadêmicas; quando envolve um grau de sofrimento considerado pelo indivíduo como significativo; e quando as respostas de evitação e eliminação ocuparem a maior parte do dia.

Esquiva fóbica, uma resposta emitida na presença de um evento ameaçador, com a intenção de amenizar ou adiar esse evento, é um padrão característico dos transtornos de ansiedade. A contingência de fuga/esquiva pode ser mantida pelo adiamento ou retirada do evento aversivo. Atualmente, propõe-se a exposição com prevenção de respostas como principal estratégia, que pode ser realizada de maneira imaginária ou com a exposição real. Porém, também é importante verificar as variáveis de natureza encoberta e como a proposta de intervenção poderia ser ampliada. Continuar lendo “Transtornos de ansiedade: uma visão analítico-comportamental”

Transtornos de ansiedade: uma visão analítico-comportamental

Freud e o ato falho

Em um breve texto de 1935, intitulado ‘As sutilezas de um ato falho’, Sigmund Freud (1856-1939), o fundador da psicanálise, apresenta um de seus conceitos, o ato falho, e como o título deixa bem claro, a questão central é a sutileza desse ato.

Caracteriza-se um ato falho um erro na fala, escrita, memória ou até mesmo uma ação física. O sujeito o compreende como errado, por exemplo, ter dito uma palavra, quando sua real intenção era falar outra. Entretanto, para a psicanálise, não houve um erro, mas sim um desejo do inconsciente que foi realizado através do ato falho, que acaba tomado por um erro devido ao conteúdo inconsciente ser desconhecido ao sujeito. Continuar lendo “Freud e o ato falho”

Freud e o ato falho

Lidando com o comportamento suicida em psicoterapia

Falar sobre suicídio é algo delicado, porém muito importante. No Brasil, dados do Ministério da Saúde, coletados entre 2011 e 2015, apontam um crescimento de 12% no número de suicídios. São dados alarmantes, que devem ser colocados em pauta.

As diversas áreas do conhecimento em saúde são de grande importância para a prevenção de novos casos. Uma delas é a psicologia, que possui vasto conhecimento para ajudar na reversão desses desses índices. Não é um texto que aborda uma teoria principal, mas sim questões que todo profissional deve ficar atento ao lidar com clientes com tendências suicidas. Fukumitsu faz bons apontamentos sobre como o psicoterapeuta deve lidar com o comportamento suicida, fiz algumas anotações sobre os principais pontos. Continuar lendo “Lidando com o comportamento suicida em psicoterapia”

Lidando com o comportamento suicida em psicoterapia

Ensaio Comportamental: trabalhando a assertividade

Ensaio Comportamental é um procedimento utilizado para ensinar comportamentos por meio de treinamentos, em práticas de intervenção. A técnica inspirou-se nos trabalhos de Moreno, criador do Psicodrama, e de Wolpe e Lazarus. Esses autores buscavam a aprendizagem de novos padrões de comportamentos que deveriam ser emitidos diante dos estímulos eliciadores de medo. Salter, autor que apontava a importância da aquisição de comportamentos assertivos nos processos terapêuticos, também serviu como inspiração para a técnica do Ensaio Comportamental; assim como os trabalhos de Skinner, criador do Behaviorismo Radical, que contribuiu para a compreensão das leis que regem os comportamentos. Continuar lendo “Ensaio Comportamental: trabalhando a assertividade”

Ensaio Comportamental: trabalhando a assertividade

O significado dos sonhos para a Terapia Comportamental

Muitos veem o behaviorismo como uma teoria dura, que apenas enxerga o concreto, sem considerar o que se passa dentro do cliente, como a psicanálise, por exemplo. O único problema é que não é bem por aí. Para o behaviorismo radical tudo é comportamento, o simples ato de pensar já é um comportamento, que pode ser reforçado e/ou extinto. Dessa forma, esse tipo de terapia também leva em conta sonhos, mas não com interpretações, como na própria psicanálise. Esses são os chamados “eventos encobertos”.

Um pouco de behaviorês

A terapia comportamental, baseada nos conceitos da análise do comportamento, considera que eventos privados, como sentimentos, sonhos e intuições, são comportamentos encobertos. Para Skinner, a acessibilidade limitada de um evento privado não lhe concede qualquer tipo de estrutura especial. Os comportamentos encobertos, por serem considerados comportamentos, não devem ser considerados como eventos mentais ou cognitivos, pois esse tipo de consideração vai contra as propostas do behaviorismo radical. Continuar lendo “O significado dos sonhos para a Terapia Comportamental”

O significado dos sonhos para a Terapia Comportamental

Aprendendo a lidar com o luto: Terapia Cognitivo-Comportamental

Passar por uma situação de luto não é fácil. Cada um lida de determinada forma com esse momento de perda e tristeza. A Psicologia pode ajudar, também, nesse tipo de situação, acolhendo o sujeito e fornecendo suporte e estratégias para o enfrentamento e superação do luto. Veja como a Terapia Cognitivo-Comportamental pode contribuir nesse tipo de caso.

O luto

Para entender o luto, é necessário compreender as diferentes concepções de morte. Houve um período em que a morte era vista como natural ao ser humano, tranquila e resignada. Sua vivência dava-se no âmbito familiar, numa cerimônia pública, como ocorria na Idade Média. A finitude da morte era ligada às religiões e suas causas eram atribuídas a um ser divino, com a ideia de paraíso, inferno e ressurreição. Algumas mudanças socioculturais provocaram o distanciamento da morte do cotidiano, fazendo com que a morte fosse camuflada, passando a ser vista como tabu. Com o passar dos séculos, houve a ruptura entre morte e religião, foi onde a ciência passou a explicar as doenças e as causas das mortes. Isso impulsionou o desenvolvimento tecnológico, que passou a adiar a morte, novas técnicas e medicamentos. Isso acarretou na impossibilidade de expressão de dor pela morte, uma repressão desses sentimentos. O significado de morte também varia de acordo com a cultura, religião e credo, assim como o tipo de morte. Continuar lendo “Aprendendo a lidar com o luto: Terapia Cognitivo-Comportamental”

Aprendendo a lidar com o luto: Terapia Cognitivo-Comportamental

Outubro corrido

Chegamos ao penúltimo mês do ano, por incrível que pareça, já estamos em novembro! No início de 2017, achava que não seria tão rápido, porém, sempre que nos aproximamos do fim, temos esse tipo de percepção, de que o tempo passou depressa. Entretanto, não acho que outubro passou tão rápido assim, nessa loucura que são as percepções, na minha, foi um tempo proporcional, nem rápido, nem devagar.

Posso dizer que foi um mês corrido, com muitos prazos e muitos trabalhos; todos sanados e cumpridos, para o bem do meu sossego. Escrevi dois trabalhos acadêmicos para serem apresentados em eventos, um na faculdade onde estudo, outro para ser apresentado em uma universidade de uma cidade próxima. Este último foi uma experiência boa e construtiva, eu não havia participado de um evento semelhante até então. A apresentação onde estudo será na próxima semana, a ansiedade bate, mas o trabalho já está feito, corrigido e entregue. No fim de tudo, é um sentimento muito bom o que fica, um misto de orgulho, dever cumprido e alegria. Continuar lendo “Outubro corrido”

Outubro corrido

Psicologia, medo e ansiedade

Dia das Bruxas e medo caminham juntos. Quem é que nunca sentiu medo na vida? Este texto traz uma explicação sobre o sentimento de medo, na visão da psicologia comportamental.

O medo e a ansiedade são, muitas vezes, considerados sinônimos, entretanto o que os diferencia é a presença ou ausência de estímulos desencadeadores externos e o comportamento de evitação. Quando o desencadeador externo que provoca comportamento de fuga ou evitação é óbvio, considera-se medo; já a ansiedade é um estado emocional aversivo, sem desencadeadores claros, que não podem ser evitados.

As teorias das emoções consideram o medo uma emoção básica, presente em todas as idades, culturas, etnias e espécies; a ansiedade seria uma mistura de emoções, sendo o medo a predominante. Além disso, a ansiedade pode incluir tristeza, vergonha, culpa, ou cólera, curiosidade, interesse ou excitação. Continuar lendo “Psicologia, medo e ansiedade”

Psicologia, medo e ansiedade