Futebol e intolerância

Na última sexta-feira, dia 06 de julho, a Seleção Brasileira de Futebol foi eliminada da Copa do Mundo pela equipe da Bélgica. Acontece, é um jogo, o time não vinha jogando bem e já faz tempo que o Brasil não chega à final desse torneio. Seleções muito melhores que essa de 2018 não conseguiram vencer a Copa. Faz parte.

Em nosso país, o futebol não é apenas um esporte, é também parte de nossa cultura. Uma das poucas coisas nas quais nos destacamos no cenário internacional é nesse esporte, que possui grande representatividade mundial. Num país cheio de problemas, é preciso se orgulhar das poucas coisas que são realmente boas (e o futebol é uma delas). Ademais, para os mais pobres (que compõem grande parte de nossa população), esse esporte é uma saída, uma maneira para conseguir uma vida melhor, sendo a grande esperança de muita gente.

Temos que levar em conta que o futebol mexe com as emoções de muitos torcedores de forma bastante pessoal, assim como uma paixão. E isso faz algumas pessoas cometerem atos infelizes, como o que aconteceu com o jogador Fernandinho, que fez um gol contra no jogo contra a Bélgica e não realizou uma boa atuação. Como mostram os sites UOL e Gazeta Esportiva, muitas pessoas deixaram críticas pesadas, algumas de cunho racial, nas redes sociais do jogador. Continuar lendo “Futebol e intolerância”

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Futebol e intolerância

Deficiência e sociedade

Antes de individual, a deficiência é um fenômeno social, que ocorre em uma família, em uma comunidade ou em uma sociedade. Não basta apenas olhar para o indivíduo, é preciso compreender também os conceitos e valores da sociedade onde ele está inserido. Como essa população encara a deficiência? Afinal, a sociedade tem grande influência sobre nossos comportamentos, em como agimos.

Por muito tempo, o sujeito deficiente foi visto por uma perspectiva médica: sadio ou não sadio. Todavia, estudos da antropologia e da psicologia social apontam que essas pessoas são encaradas como “desviantes”, pois fogem de um padrão de comportamento pré-estabelecido por uma sociedade, e o fato de seus comportamentos serem “indesejados” seria uma justificativa para a forma como são tratados (como divergentes). As sociedades criam um padrão de “normalidade”, quem se desvia desse padrão acaba sendo visto como diferente. Continuar lendo “Deficiência e sociedade”

Deficiência e sociedade

A evolução do conceito de deficiência

O conceito de deficiência modificou-se ao longo do tempo, sendo este conceito relacionado às diferentes culturas e seus modos de compreender o homem. É possível classificar as concepções de deficiência em pré-científicas e científicas.

Concepções pré-científicas

Nas concepções pré-científicas, os valores culturais e éticos eram utilizados para explicar e tratar esses indivíduos. O comportamento de um deficiente já foi visto como uma consequência de forças sobrenaturais, aleijados eram sacrificados na Grécia Antiga, por conta de um padrão de beleza física. A ideia de sobrenatural foi fortalecida na Idade Média, onde os comportamentos de um deficiente eram explicados como uma possessão demoníaca, por exemplo, pois a Igreja exercia um grande poder nessa época. Ainda no fim desse período, surgiu o atendimento assistencial à essas pessoas, um leve avanço, já que antes não havia nenhum tipo de cuidado especial. Continuar lendo “A evolução do conceito de deficiência”

A evolução do conceito de deficiência

Minhas Leituras #43: A senhora do lago – Andrzej Sapkowski

Título: A senhora do lago, v. 1 e 2
Autor: Andrzej Sapkowski
Editora: WMF Martins Fontes
Ano: 2017
Páginas: 304 e 266
Tradução: Olga Bagińska-Shinzato
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“Até um homem simples, inclusive cheio de alegria, até eufórico, deveria entender que a política também é uma espécie de guerra, embora travada de uma maneira um pouco diferente” (SAPKOWSKI, Andrzej. A senhora do lago, v.2. WMF Martins Fontes, 2017, p. 139)

Em 2011, chegava às livrarias brasileiras ‘O último desejo’, uma coletânea de contos de um tal bruxo Geralt de Rívia, o primeiro livro de uma série composta por sete (oito, se contarmos um prelúdio, lançado recentemente). Agora, em 2017, a saga chega ao fim, fechando o arco dessa incrível história de fantasia em grande estilo. Continuar lendo “Minhas Leituras #43: A senhora do lago – Andrzej Sapkowski”

Minhas Leituras #43: A senhora do lago – Andrzej Sapkowski

Minhas Leituras #37: Fábulas – Esopo

Título: Fábulas
Autor: Esopo
Editora: Martin Claret
Ano: 2017
Páginas: 169
Tradução: Clara Crepaldi
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“A fábula mostra que se você quer realmente viver sem perigo, não confie nos inimigos, confie nos amigos e os preserve”. (ESOPO. Os três bois e o leão. In: Fábulas. Martin Claret, 2017 p. 54)

Ao menos uma vez na vida todos nós já ouvimos uma fábula. Aquelas historinhas bem curtinhas, que trazem uma moral ao final. Se lembra? Um dos maiores e mais conhecidos fabulistas foi Esopo, autor grego do século VI a. C. A presente edição traz 358 fábulas, em uma edição muito bacana, traduzida diretamente do grego. Continuar lendo “Minhas Leituras #37: Fábulas – Esopo”

Minhas Leituras #37: Fábulas – Esopo

Como conhecemos as pessoas?

O que é conhecer alguém? Como esse processo acontece?

“Não vemos as pessoas como elas são, mas sim como nós somos”.

Em nossa interação com as outras pessoas, registramos o que acontece de forma mais ou menos distorcida, em função de nossos interesses, vieses, atitudes e formas de fazer atribuições.

Dificilmente não temos uma teoria implícita de personalidade, da qual pessoas com determinados traços seguirão os comportamentos já esperados. A crença nesse tipo de teoria facilita nosso entendimento sobre as intenções e comportamentos das pessoas. Às vezes possuímos teorias sobre determinados grupos. É o que os psicólogos sociais chamam de estereótipos e que consistem na atribuição de determinados traços aos membros de um certo grupo.

Esses estereótipos possuem algo de verdadeiro, porém podem ser totalmente falsos em um caso particular. É comum dizer que todo político é corrupto, mas há exceções, alguns políticos são honestos, pois esses estereótipos decorrem da generalização de observações individuais dos indivíduos desse grupo. Um estereótipo integrado por aspectos puramente negativos, como o do exemplo acima, é chamado de preconceito. Continuar lendo “Como conhecemos as pessoas?”

Como conhecemos as pessoas?

Alguns (dos vários) pontos negativos da liminar que permite tratar a homossexualidade como doença

Com a decisão tomada pelo juiz federal Waldemar Cláudio de Carvalho na última sexta-feira, 15/09, uma liminar que permite psicólogos tratarem a homossexualidade como uma doença foi concedida. Essa medida enfraquece a resolução 01/1999 do Conselho Federal de Psicologia (CFP), resolução essa que estabelece normas em relação à atuação do psicólogo em questões sobre a orientação sexual e não impede que estudos nessa área sejam realizados.

Essa decisão desagradou a categoria e grande parte da população, pois representa um grande retrocesso para a comunidade LGBT, que sempre foi discriminada ao longo das décadas e, recentemente, após diversas mudanças constitucionais, vinha obtendo o respeito que merece, assim como qualquer ser humano. Além disso, demonstra uma enorme falta de empatia e assemelha-se a uma maneira de se mascarar preconceitos (Freud chamaria isso de sublimação).

Vários pontos negativos surgirão a partir de então. Tentarei elencar alguns que mostram como a liminar, concedida pela Justiça Federal do Distrito Federal, não faz nenhum sentido e trará diversos prejuízos para os homossexuais, para a profissão de psicólogo e para a sociedade. Continuar lendo “Alguns (dos vários) pontos negativos da liminar que permite tratar a homossexualidade como doença”

Alguns (dos vários) pontos negativos da liminar que permite tratar a homossexualidade como doença

O PAI PROVEDOR

Um homem passa por diversas etapas durante sua vida, umas mais fáceis, outras que se mostram um imenso desafio. Podemos situar a etapa de ser pai entre as mais desafiadoras. Há aqueles que escolhem inserir essa etapa em suas  vidas, assim como existem os que encaram essa tarefa meio que por acidente, meio sem querer.

Ser pai não é algo simples e nem todos conseguem desenvolver esse papel de maneira positiva. Como é possível observar, em cada função, ou em cada papel, há quem se destaca, e há quem falha, quem encontra dificuldades.

Refletindo acerca desse pensamento, podemos conceituar pais dos mais diversos tipos. Nesse post, pretendo analisar apenas dois desses tipos: o pai provedor, e o pai ideal. Todo homem é igual e diferente ao mesmo tempo. Mesmo que cresçam em ambientes completamente distintos, certas circunstâncias estarão presentes na vida de todos em determinado momento. Esses conceitos que estou criando, serão explicados no decorrer do texto, com uma análise sobre o que é ser homem e como isso implica em ser pai. Continuar lendo “O PAI PROVEDOR”

O PAI PROVEDOR

RANKING DE JULHO

Pelo post estar um pouco atrasado, acho que já se pode imaginar certas coisas. O mês de julho terminou muito corrido e agosto começou mais corrido ainda! Isso se deve ao fato de minhas aulas terem reiniciado; adeus férias . 😭

Não consegui escrever este post para o primeiro dia desse longo mês de agosto. Bem, antes tarde do que nunca. Cá estou tentando resumir como foram os últimos 31 dias.

Foi possível descansar bastante. Apesar de eu ter um emprego e não estar de férias do mesmo, as férias da faculdade já ajudaram. Estudar cansa mais a mente do que o corpo, tanto pelo conteúdo a ser lido, quanto pela preocupação com prazos e desempenho. O desgaste mental é pior do que o físico, porque uma mente cansada significa um corpo cansado, por consequência. Acredito estar voltando renovado às aulas (é o que veremos). Preparei meu psicológico para aguentar mais dois bimestres de muito trabalho.

Mesmo descansando, não me desprendi do blog, pois é algo pelo qual peguei gosto. Gosto de fazer minhas postagens e ver o desempenho, que se manteve bom. Espero sempre estar melhorando a qualidade dos meus textos, sempre procurando evoluir. As leituras também continuaram no mesmo ritmo, e como está se tornando um costume, trago o ranking dos livros que li. É uma boa hora para obter algumas dicas de leitura. Quem sabe os títulos apresentados aqui não despertam em você uma curiosidade, daquelas que chegam a coçar. Continuar lendo “RANKING DE JULHO”

RANKING DE JULHO

‘NÃO ESTOU LOUCO PARA FAZER TERAPIA!’

É comum ouvir esse tipo de frase vinda de alguém que não está muito por dentro sobre o que se trata a área da Psicologia. Não seria correto culpar as pessoas por isso, não de todo, afinal, por ser uma área fortemente ligada à saúde mental, muitos estigmas foram criados sobre a profissão ao longo das décadas. Temos linhas teóricas como a psicanálise, com um vasto e aprofundado estudo sobre a psicose; temos o histórico da psiquiatria, que rotulou pessoas e as trancou em manicômios durante muito tempo; e temos preconceitos, cristalizados na sociedade por esses motivos citados e também por muitos outros.

Uma coisa é certa: a Psicologia não é um estudo sobre a loucura (uma palavra com teor muito agressivo e negativo, que agride muito mais do que descreve), o fato de psicólogos não gostarem de rotular as pessoas com doenças mostra que esse não é bem o caso. A ideia de louco, geralmente se refere à pessoa que rompe com a realidade, um psicótico, que é uma parte muito baixa das pessoas que buscam, ou são levadas à terapia. A grande maioria da população não vive em situações extremas de delírios. Todo mundo tem problemas que poderiam ser amenizados com uma psicoterapia, desde a falta de habilidades sociais, até um caso de depressão mais aguda.

Porém, nem só de terapia vive o psicólogo. Esse é um profissional que está inserido em diversos contextos, a área de atuação é ampla. Na maioria dessas áreas, sequer ocorre uma terapia (não aos moldes tradicionais, de acordo com o setting terapêutico). Continue lendo e descubra que Psicologia não é uma “coisa de louco”. Continuar lendo “‘NÃO ESTOU LOUCO PARA FAZER TERAPIA!’”

‘NÃO ESTOU LOUCO PARA FAZER TERAPIA!’