Futebol e intolerância

Na última sexta-feira, dia 06 de julho, a Seleção Brasileira de Futebol foi eliminada da Copa do Mundo pela equipe da Bélgica. Acontece, é um jogo, o time não vinha jogando bem e já faz tempo que o Brasil não chega à final desse torneio. Seleções muito melhores que essa de 2018 não conseguiram vencer a Copa. Faz parte.

Em nosso país, o futebol não é apenas um esporte, é também parte de nossa cultura. Uma das poucas coisas nas quais nos destacamos no cenário internacional é nesse esporte, que possui grande representatividade mundial. Num país cheio de problemas, é preciso se orgulhar das poucas coisas que são realmente boas (e o futebol é uma delas). Ademais, para os mais pobres (que compõem grande parte de nossa população), esse esporte é uma saída, uma maneira para conseguir uma vida melhor, sendo a grande esperança de muita gente.

Temos que levar em conta que o futebol mexe com as emoções de muitos torcedores de forma bastante pessoal, assim como uma paixão. E isso faz algumas pessoas cometerem atos infelizes, como o que aconteceu com o jogador Fernandinho, que fez um gol contra no jogo contra a Bélgica e não realizou uma boa atuação. Como mostram os sites UOL e Gazeta Esportiva, muitas pessoas deixaram críticas pesadas, algumas de cunho racial, nas redes sociais do jogador. Continuar lendo “Futebol e intolerância”

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Futebol e intolerância

Minhas Leituras #75: Cartas na rua – Charles Bukowski

“O primeiro romance do velho safado”

Título: Cartas na rua
Autor: Charles Bukowski
Editora: L&PM Pocket
Ano: 2011
Páginas: 192
Tradução: Pedro Gonzaga
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“E embaixo disso tudo, os peixes, os pobres peixes lutando uns contra os outros, comendo uns aos outros. Nós somos como esses peixes, com a diferença de que estamos aqui em cima.” (BUKOWSKI, Charles. Cartas na rua. L&PM Pocket, 2011, p. 135)

Logo em seu primeiro romance, com uma escrita praticamente autobiográfica, Charles Bujowski apresenta seu estilo marcante, copiado por muitos, porém jamais reproduzido com a mesma originalidade. Continuar lendo “Minhas Leituras #75: Cartas na rua – Charles Bukowski”

Minhas Leituras #75: Cartas na rua – Charles Bukowski

Poema: Meaningless

Muitas palavras são utilizadas fora de contexto, ou de maneira errada mesmo, seja por um erro honesto, seja por canalhice (há quem o faça), ou por falta de conhecimento. E por incrível que parece, é no contexto político que as palavras mais são usadas de forma incorreta, pode reparar. Há mantras, que, por tanto serem repetidos, já não querem dizer mais nada, tornam-se um grande eco.

Preste atenção e você verá que o que estou dizendo é verdade. Não sei ao certo, mas, talvez, esse poema seja uma crítica a tudo isso, ou foi inspirado por tudo isso. Parece que cada um quer dar o seu próprio sentido às palavras, o que acaba gerando um gigante monte de nada, inúmeros caminhos tortuosos. Escolhi esse título porque ele resume bem o que quero dizer. Continuar lendo “Poema: Meaningless”

Poema: Meaningless

Minhas Leituras #70: Mrs Dalloway – Virginia Woolf

“Um romance envelhecido”

Título: Mrs Dalloway
Autor: Virginia Woolf
Editora: Autêntica
Ano: 2013
Páginas: 272
Tradução: Tomaz Tadeu
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“Pois a verdade (que ela continue sem saber) é que os seres humanos não têm bondade, nem fé, nem caridade, nada para além daquilo que serve para aumentar o prazer momentâneo”. (WOOLF, Virginia. Mrs Dalloway. Autêntica, 2013, p. 91)

Na tentativa de fugir dos padrões estabelecidos para a escrita de um romance, Virginia Woolf finalmente conseguiu criar algo inovador para sua época, ‘Mrs Dalloway’, um de seus livros mais importantes. Continuar lendo “Minhas Leituras #70: Mrs Dalloway – Virginia Woolf”

Minhas Leituras #70: Mrs Dalloway – Virginia Woolf

Dia do livro é todo dia!

Ontem, dia 23 de abril, foi “celebrado” o Dia Mundial do Livro (e também do Direito do Autor). Não costumo postar às segundas-feiras, e também não vejo problema em falar sobre o assunto um dia depois, afinal todo dia é dia do livro.

A ex-presidente Dilma Rousseff disse, certa vez, que o Dia da Criança seria todo dia — e até afirmou haver uma figura oculta atrás da criança, que era um cachorro (???). Vou seguir essa linha de pensamento, porém de uma maneira muito menos viajada.

É muito bonito e importante existir um dia onde a importância dos livros é comentada no mundo todo, ou, ao menos, nos países membros da ONU (Organização das Nações Unidas). Me faltam recursos para poder comentar sobre como esse dia é discutido em outros países, mas posso falar daquilo que observei no Brasil. Continuar lendo “Dia do livro é todo dia!”

Dia do livro é todo dia!

Clínica ampliada e psicanálise

Uma das tendências da psicologia é a de se expandir e romper com seu modelo tradicional clínico/privado (atendimentos em uma clínica particular, dentro de um setting, com diversas regras), o que contribui para a criação da clínica ampliada, que diz respeito aos novos locais de atuação institucionais/sociais do psicólogo e outros profissionais da saúde. Esse modelo permite uma relação entre clínica e política, intervenções psicossociais, atenção básica, saúde mental, etc.

A práxis da clínica ampliada, baseada no referencial psicanalítico, tem lugar e eficácia singulares, permitindo uma escuta ao inconsciente, diferente de outros discursos que visam, por exemplo, a medicação. Por meio desse viés, os pacientes podem recobrir o real de seu mal-estar, contribuindo para a desalienação de seu “rótulo de doente”. Rótulo este que é mantido e reforçado por meio da medicação apressada, além de sua manutenção contribuir para o domínio médico sobre o saber, fazendo com que o sujeito perca sua autonomia, visando uma normatização dos afetos e das variadas condições de sofrimento. Continuar lendo “Clínica ampliada e psicanálise”

Clínica ampliada e psicanálise

A alienação mental contemporânea

A loucura, entre os séculos XII e XII, recebeu status de alienação mental, dessa forma acabou sendo considerada uma “doença mental”. A partir dessa concepção as práticas psiquiátricas tornaram-se dispositivos alienantes sobre a loucura. Todas estratégias de intervenção, como o internamento e o isolamento, acabaram por produzir a própria alienação mental. A loucura era considerada uma característica de estar “fora-de-si”.

O internamento era justificado como uma forma de isolar o louco da sociedade, afim de protegê-la da periculosidade que ele representava, já que a doença mental era comparada à criminalidade. Existia uma grande segregação, uma espécie de higienização social. Afirmavam que a internação era para o bem do louco, quando na verdade eram as pessoas que o temiam e queriam manter distância.

Nunca houve uma clara definição da loucura no passado, dessa forma os considerados loucos eram alocados em asilos ou prisões junto de outros indivíduos, como doentes da lepra, indigentes, criminosos. A cura psiquiátrica caracterizava-se como um tratamento moral. Continuar lendo “A alienação mental contemporânea”

A alienação mental contemporânea

Minhas Leituras #57: Memórias da casa dos mortos – Fiódor Dostoiévski

“A sangrenta realidade de um presídio russo do século XIX”

Título: Memórias da casa dos mortos
Autor: Fiódor Dostoiévski
Editora: Martin Claret
Ano: 2016
Páginas: 334
Tradução: Oleg Almeida
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“Qualquer pessoa, seja ela quem for e por mais humilhada que esteja, vem a exigir, embora por mero instinto, embora inconscientemente, que respeitem sua dignidade humana.” (DOSTOIÉVSKI, Fiódor. Memórias da casa dos mortos. Martin Claret, 2016, p. 136)

Baseando-se em experiências pessoais, Dostoiévski apresentou ao mundo como funcionava o sistema carcerário do Império Russo durante boa parte do século XIX, neste livro narrado pela perspectiva de um ex-detento. Continuar lendo “Minhas Leituras #57: Memórias da casa dos mortos – Fiódor Dostoiévski”

Minhas Leituras #57: Memórias da casa dos mortos – Fiódor Dostoiévski

Terapia Comportamental: a importância da Análise Funcional

Ao estudar padrões de comportamento, a medicina busca estabelecer padrões de normalidade se baseando em critérios estatísticos. Os termos utilizados em diagnósticos, encontrados no APA (Associação Psiquiátrica Americana) e na OMS (Organização Mundial da Saúde), foram criados com a finalidade de estabelecer uma comunicação entre os diferentes profissionais. O modelo médico, ao definir uma doença, acredita que uma terapêutica seja aplicável à todas as pessoas que apresentam sintomas, sendo essa terapêutica, em geral, farmacológica.

O modelo da psicologia clínica vem da medicina psiquiátrica e pode ser chamado de modelo quase-médico. É um modelo que se esbarra na dicotomia entre normal e patológico e considera as respostas “disfuncionais” como sintomas da doença, que é subjacente. A diferença entre esse modelo e o modelo médico é o de que, esta, acredita que nem sempre seja necessário utilizar fármacos no tratamento. Continuar lendo “Terapia Comportamental: a importância da Análise Funcional”

Terapia Comportamental: a importância da Análise Funcional

A neutralidade da rede está em perigo e você deveria se preocupar com isso!

Na última quinta-feira, dia 14 de dezembro, a Comissão Federal das Comunicações dos Estados Unidos (FCC, sigla em inglês), órgão que regula a área de telecomunicação e radiodifusão nesse país, decidiu deixar de classificar a internet banda larga como um serviço de utilidade pública. Isso trará consequências muito sérias para os consumidores estadunidenses e, mesmo sendo algo que ocorreu fora, nós brasileiros devemos ficar atentos sobre esse tema.

O que é a neutralidade da rede?

O ponto central da neutralidade da rede é: todo o tráfego na internet deve ser tratado igualmente. As companhias de telecomunicação, que fornecem acesso à internet, não podem dar prioridade a um serviço em detrimento de outro. Uma mensagem enviada pelo WhatsApp deve possuir a mesma prioridade de uma exibição de um vídeo no YouTube; um serviço não pode ficar mais lento para beneficiar outro. Continuar lendo “A neutralidade da rede está em perigo e você deveria se preocupar com isso!”

A neutralidade da rede está em perigo e você deveria se preocupar com isso!