Considerações sobre a Psicologia Hospitalar e a Terapia Cognitivo-Comportamental

História do hospital

O hospital é uma instituição que passou por diversas mudanças, avanços e transformações ao longo dos séculos. Historicamente, o hospital surgiu por volta do século IV e funcionava como uma espécie de depósito, onde se alocavam os enfermos destituídos de recursos; era uma finalidade social, não terapêutica (CAMPOS, 1995a).

Assim como a história dos tratamentos destinados aos deficientes, o hospital foi por muito tempo uma instituição geradora de segregação. Os indivíduos eram isolados da sociedade, fato que ocorria por diversos fatores, tais como: medo, preconceito, falta de conhecimento, outras crenças e uma forte visão higienista (AMIRALIAN, 1986). Porém, esse tipo de tratamento para com os deficientes é prejudicial e só aumenta a segregação; era o mesmo o que acontecia com os demais doentes nos primeiros hospitais.

Por muito tempo, a instituição hospitalar esteve ligada à religião, sob influência direta do Cristianismo. Tratava-se de um espírito egoístico, o interesse não era o de restaurar a saúde dos enfermos, mas sim o de buscar a salvação divina, trabalhos de caridade. Segundo Campos (1995a), eram tratamentos limitados, pois o conhecimento científico da época ainda se mostrava escasso. Continuar lendo “Considerações sobre a Psicologia Hospitalar e a Terapia Cognitivo-Comportamental”

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Considerações sobre a Psicologia Hospitalar e a Terapia Cognitivo-Comportamental

A utilização da Terapia Cognitivo-Comportamental em pacientes cardiopatas

As doenças cardiovasculares (DCVs) são a principal causa de morte no mundo. No Brasil as DCVs são altamente prevalentes, sendo a causa de mais de 308.000 mortes por ano. O conjunto dessas enfermidades constitui a principal causa de gastos em assistência médica e corresponde a mais de 10% das internações anuais do sistema público de saúde brasileiro.

Alguns dos fatores de risco (FR) para DCVs são a hipertensão arterial, hipercolesterolemia, diabetes, alimentação pouco saudável, sedentarismo e o consumo excessivo de álcool e tabaco.

Os aspectos emocionais, dentre os FR modificáveis, ocupam lugar central. Depressão, ansiedade, hostilidade, baixo suporte social e estresse crônico estão cada vez mais sendo associados ao aumento do risco cardiovascular. Continuar lendo “A utilização da Terapia Cognitivo-Comportamental em pacientes cardiopatas”

A utilização da Terapia Cognitivo-Comportamental em pacientes cardiopatas

Aplicação da Terapia Cognitiva em contexto hospitalar

Aron T. Beck desenvolveu a Terapia Cognitiva (TC) no início da década de 1960, como uma psicoterapia breve, estruturada, orientada ao presente, direcionada a resolver problemas atuais e modificar os pensamentos e comportamentos disfuncionais. O modelo cognitivo supõe que emoções e comportamentos são influenciados pela percepção do sujeito sobre os eventos.

A mudança cognitiva dos pensamentos e crenças dos clientes, visando uma mudança emocional e comportamental, é o objetivo do terapeuta cognitivo. A TC segue os seguintes princípios básicos: estabelecer uma aliança terapêutica; identificar o pensamento atual que mantém os sentimentos negativos e comportamentos disfuncionais; ênfase na participação ativa e colaboração do cliente; criação de metas e foco em problemas, enumerados em conjunto com o cliente; foco no aqui-agora; prevenção de recaídas; duração limitada, com sessões estruturadas. Continuar lendo “Aplicação da Terapia Cognitiva em contexto hospitalar”

Aplicação da Terapia Cognitiva em contexto hospitalar

Minhas Leituras #74: A imaginação educada – Northrop Frye

“Poderia a literatura existir sem a imaginação?”

Título: A imaginação educada
Autor: Northrop Frye
Editora: Vide Editorial
Ano: 2017
Páginas: 136
Tradução: Adriel Teixeira; Bruno Geraidine; Cristiano Gomes
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“Liberdade nada tem a ver com falta de exercício: ela é produto de exercício. Não se é livre para ir e vir a menos que se tenha aprendido a andar, e não se é livre para tocar piano a menos que se pratique.” (FRYE, Northrop. A imaginação educada. Vide Editorial, 2017, p. 128)

Estudar um idioma sem estudar, em conjunto, a literatura criada a partir do mesmo, é um ato incompleto. E falar em literatura sem falar em imaginação, é algo praticamente impossível. É o que Northrop Frye defende neste livro: a literatura é fruto de uma imaginação educada. Continuar lendo “Minhas Leituras #74: A imaginação educada – Northrop Frye”

Minhas Leituras #74: A imaginação educada – Northrop Frye

Terapia Cognitivo-Comportamental: atuação hospitalar

A função do psicólogo hospitalar é o de utilizar técnicas e conhecimentos voltados a uma atividade curativa e preventiva, visando restabelecer o estado de saúde do doente e de seus acompanhantes. Sua atuação não se restringe apenas ao ambiente hospitalar; a psicologia hospitalar também se insere no campo da psicologia da saúde, que objetiva o tratamento da saúde e prevenção de doenças.

O Conselho Federal de Psicologia (CFP) diz que o psicólogo hospitalar atua nos âmbitos secundário e terciário de atenção à saúde. No Brasil, a atuação do psicólogo em hospitais aconteceu de forma tardia. Os primeiros trabalhos eram pautados na psicologia clínica, pois ainda se tratava de um campo indefinido. Com o tempo, profissionais passaram a se interessar pela área, e diversas entidades, como a Sociedade Brasileira de Psicologia Hospitalar, foram criadas. Porém, ainda hoje a psicologia hospitalar busca maior definição de seu espaço teórico-prático. Continuar lendo “Terapia Cognitivo-Comportamental: atuação hospitalar”

Terapia Cognitivo-Comportamental: atuação hospitalar

Breve história do Hospital

Procurar o atendimento em um hospital, hoje, é algo bem simples e rotineiro. Temos em mente toda uma imagem sobre o ambiente que encontraremos, as variedades de profissionais e de especialidades. Porém, historicamente, o hospital nem sempre existiu dessa forma que conhecemos hoje.

A palavra hospital vem do latim hospes (hóspede), que deu origem a hospitalis e hospitium (designação do lugar onde se hospedavam viajantes, enfermos e peregrinos). Um estabelecimento ocupado por pobres, incuráveis e insanos era chamado de hospituim (hospício, termo utilizado para se referir a um hospital de psiquiatria).

Os médicos da Grécia, Egito e Índia antigos aprendiam medicina junto aos templos e atuavam no domicilio das pessoas enfermas. Em templos da Grécia, os enfermos eram colocados ante a estátua de um deus, para que, em associação a medicamentos, os sacerdotes pudessem curá-los. Em diversas estradas da Índia antiga, foram criadas construções “hospitalares”, que seriam utilizadas como locais de descanso e tratamento para o exército e civis. Continuar lendo “Breve história do Hospital”

Breve história do Hospital

A importância da confiança em uma terapia cognitiva

De acordo com diversas abordagens psicológicas, obter uma aliança terapêutica com o cliente é de suma importância para o êxito de uma psicoterapia, para a obtenção de bons resultados. Os terapeutas cognitivos, principalmente, veem uma boa relação entre terapeuta e cliente como necessária para existência de uma colaboração no processo terapêutico (muitos, até mesmo, consideram a aliança terapêutica como o cerne desse processo).

Sendo assim, não é possível existir uma psicoterapia sem que a relação interpessoal cliente-terapeuta seja considerada; o vínculo entre ambos é imprescindível.

Um dos primeiros objetivos de uma psicoterapia é se aproximar do cliente, fator determinante, já que, para a evolução de uma terapia cognitiva (para o processo de mudança), é preciso haver a colaboração do mesmo. Entende-se a psicoterapia como um processo de reconstrução dos significados do cliente (sobre sua experiência e ao mundo), podendo, também, ser compreendida como uma forma de colaboração na construção e reconstrução de significados. Continuar lendo “A importância da confiança em uma terapia cognitiva”

A importância da confiança em uma terapia cognitiva

Deficiência e sociedade

Antes de individual, a deficiência é um fenômeno social, que ocorre em uma família, em uma comunidade ou em uma sociedade. Não basta apenas olhar para o indivíduo, é preciso compreender também os conceitos e valores da sociedade onde ele está inserido. Como essa população encara a deficiência? Afinal, a sociedade tem grande influência sobre nossos comportamentos, em como agimos.

Por muito tempo, o sujeito deficiente foi visto por uma perspectiva médica: sadio ou não sadio. Todavia, estudos da antropologia e da psicologia social apontam que essas pessoas são encaradas como “desviantes”, pois fogem de um padrão de comportamento pré-estabelecido por uma sociedade, e o fato de seus comportamentos serem “indesejados” seria uma justificativa para a forma como são tratados (como divergentes). As sociedades criam um padrão de “normalidade”, quem se desvia desse padrão acaba sendo visto como diferente. Continuar lendo “Deficiência e sociedade”

Deficiência e sociedade

A evolução do conceito de deficiência

O conceito de deficiência modificou-se ao longo do tempo, sendo este conceito relacionado às diferentes culturas e seus modos de compreender o homem. É possível classificar as concepções de deficiência em pré-científicas e científicas.

Concepções pré-científicas

Nas concepções pré-científicas, os valores culturais e éticos eram utilizados para explicar e tratar esses indivíduos. O comportamento de um deficiente já foi visto como uma consequência de forças sobrenaturais, aleijados eram sacrificados na Grécia Antiga, por conta de um padrão de beleza física. A ideia de sobrenatural foi fortalecida na Idade Média, onde os comportamentos de um deficiente eram explicados como uma possessão demoníaca, por exemplo, pois a Igreja exercia um grande poder nessa época. Ainda no fim desse período, surgiu o atendimento assistencial à essas pessoas, um leve avanço, já que antes não havia nenhum tipo de cuidado especial. Continuar lendo “A evolução do conceito de deficiência”

A evolução do conceito de deficiência

A teoria das inteligências múltiplas de Howard Gardner

O que é inteligência? Tente definir esse conceito! Fazer isso não é fácil, e muitos já tentaram buscar uma definição. Para o senso comum, há um conceito de inteligência, alimentado pelo nosso sistema escolar. Um aluno inteligente é aquele quietinho, que faz tudo o que o professor pede e só tira nota dez.

Bem, acontece que a inteligência não é definida apenas por isso. Howard Gardner, um psicólogo estadunidense, desenvolveu uma teoria conhecida como teoria das inteligências múltiplas (IM). Essa teoria veio de encontro com a ideia de que a inteligência seria definida apenas pelas habilidades lógico-matemáticas, mensuradas pelos testes de QI.

A pessoa inteligente era aquela que conseguia utilizar suas habilidades em qualquer situação de resolução de problemas. Gardner notou que existem muitas outras habilidades além da lógico-matemática. Ele separou as inteligências em sete grupos,       contemplando grandes áreas do conhecimento humano. Toda pessoa possui cada uma dessas inteligências em algum grau, umas mais desenvolvidas, outras nem tanto. O legal dessa teoria é que é possível trabalhar e aperfeiçoar cada uma dessas inteligências, dentro das capacidades individuais e biológicas. Continuar lendo “A teoria das inteligências múltiplas de Howard Gardner”

A teoria das inteligências múltiplas de Howard Gardner