Considerações sobre a Psicologia Hospitalar e a Terapia Cognitivo-Comportamental

História do hospital

O hospital é uma instituição que passou por diversas mudanças, avanços e transformações ao longo dos séculos. Historicamente, o hospital surgiu por volta do século IV e funcionava como uma espécie de depósito, onde se alocavam os enfermos destituídos de recursos; era uma finalidade social, não terapêutica (CAMPOS, 1995a).

Assim como a história dos tratamentos destinados aos deficientes, o hospital foi por muito tempo uma instituição geradora de segregação. Os indivíduos eram isolados da sociedade, fato que ocorria por diversos fatores, tais como: medo, preconceito, falta de conhecimento, outras crenças e uma forte visão higienista (AMIRALIAN, 1986). Porém, esse tipo de tratamento para com os deficientes é prejudicial e só aumenta a segregação; era o mesmo o que acontecia com os demais doentes nos primeiros hospitais.

Por muito tempo, a instituição hospitalar esteve ligada à religião, sob influência direta do Cristianismo. Tratava-se de um espírito egoístico, o interesse não era o de restaurar a saúde dos enfermos, mas sim o de buscar a salvação divina, trabalhos de caridade. Segundo Campos (1995a), eram tratamentos limitados, pois o conhecimento científico da época ainda se mostrava escasso. Continuar lendo “Considerações sobre a Psicologia Hospitalar e a Terapia Cognitivo-Comportamental”

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Considerações sobre a Psicologia Hospitalar e a Terapia Cognitivo-Comportamental

Aplicação da Terapia Cognitiva em contexto hospitalar

Aron T. Beck desenvolveu a Terapia Cognitiva (TC) no início da década de 1960, como uma psicoterapia breve, estruturada, orientada ao presente, direcionada a resolver problemas atuais e modificar os pensamentos e comportamentos disfuncionais. O modelo cognitivo supõe que emoções e comportamentos são influenciados pela percepção do sujeito sobre os eventos.

A mudança cognitiva dos pensamentos e crenças dos clientes, visando uma mudança emocional e comportamental, é o objetivo do terapeuta cognitivo. A TC segue os seguintes princípios básicos: estabelecer uma aliança terapêutica; identificar o pensamento atual que mantém os sentimentos negativos e comportamentos disfuncionais; ênfase na participação ativa e colaboração do cliente; criação de metas e foco em problemas, enumerados em conjunto com o cliente; foco no aqui-agora; prevenção de recaídas; duração limitada, com sessões estruturadas. Continuar lendo “Aplicação da Terapia Cognitiva em contexto hospitalar”

Aplicação da Terapia Cognitiva em contexto hospitalar

O que é Humanização e qual o papel do psicólogo nesse processo?

Ter um contato direto com seres humanos coloca o profissional de a saúde em uma situação conflituosa. Se ele não ter um contato direto com esses conflitos, ele pode acabar se distanciando, evitando o contato. Esses profissionais são colocados diante de situações delicadas, onde qualquer erro pode ser fatal. Sendo assim, cuidar de quem cuida é uma forma de desenvolver ações em prol da humanização da assistência.

O que é humanização?

A humanização é um processo complexo, pois requer mudanças de comportamento que podem despertar insegurança; ademais, não é uma receita pronta, mas sim um processo que se desenvolve de acordo com a realidade de cada instituição.

Devido à necessidade de mudança nas políticas públicas, diversos projetos de humanização estão sendo desenvolvidos, em áreas como a saúde da mulher, humanização no parto e na saúde da criança. Humanizar é um processo que deve se constituir como uma vertente orgânica do sistema clínico de saúde, facilitando a relação entre profissionais e usuários e entre as unidades de saúde. Continuar lendo “O que é Humanização e qual o papel do psicólogo nesse processo?”

O que é Humanização e qual o papel do psicólogo nesse processo?

Terapia Cognitivo-Comportamental: atuação hospitalar

A função do psicólogo hospitalar é o de utilizar técnicas e conhecimentos voltados a uma atividade curativa e preventiva, visando restabelecer o estado de saúde do doente e de seus acompanhantes. Sua atuação não se restringe apenas ao ambiente hospitalar; a psicologia hospitalar também se insere no campo da psicologia da saúde, que objetiva o tratamento da saúde e prevenção de doenças.

O Conselho Federal de Psicologia (CFP) diz que o psicólogo hospitalar atua nos âmbitos secundário e terciário de atenção à saúde. No Brasil, a atuação do psicólogo em hospitais aconteceu de forma tardia. Os primeiros trabalhos eram pautados na psicologia clínica, pois ainda se tratava de um campo indefinido. Com o tempo, profissionais passaram a se interessar pela área, e diversas entidades, como a Sociedade Brasileira de Psicologia Hospitalar, foram criadas. Porém, ainda hoje a psicologia hospitalar busca maior definição de seu espaço teórico-prático. Continuar lendo “Terapia Cognitivo-Comportamental: atuação hospitalar”

Terapia Cognitivo-Comportamental: atuação hospitalar

O manejo de uma terapia analítico-comportamental

Colombinin e Perguer, em um artigo, descrevem doze sessões de terapia analítico-comportamental com uma cliente, em uma clínica-escola. Descrevem a cliente como uma mulher de 54 anos, camareira, solteira, branca, católica e com nível de escolaridade Ensino Médio. Uma análise baseada em teóricos da área foi feita a partir da descrição de cada sessão.

Para começar

Na primeira sessão, a cliente fez relatos de sua vida de maneira genérica, utilizando muito a conjunção “mas”. Os autores sugerem que na primeira sessão o terapeuta forneça uma compreensão sobre o problema apresentado e que o terapeuta fale menos que o cliente. Indicam, também, que quaisquer relatos sejam reforçados com atenção social, o que estimula positivamente o comportamento de ir à terapia. Além disso, o terapeuta deve se portar como uma audiência não-punitiva, ouvir o cliente sem criticá-lo ou julgá-lo, afim de estabelecer confiança. Continuar lendo “O manejo de uma terapia analítico-comportamental”

O manejo de uma terapia analítico-comportamental

A teoria das inteligências múltiplas de Howard Gardner

O que é inteligência? Tente definir esse conceito! Fazer isso não é fácil, e muitos já tentaram buscar uma definição. Para o senso comum, há um conceito de inteligência, alimentado pelo nosso sistema escolar. Um aluno inteligente é aquele quietinho, que faz tudo o que o professor pede e só tira nota dez.

Bem, acontece que a inteligência não é definida apenas por isso. Howard Gardner, um psicólogo estadunidense, desenvolveu uma teoria conhecida como teoria das inteligências múltiplas (IM). Essa teoria veio de encontro com a ideia de que a inteligência seria definida apenas pelas habilidades lógico-matemáticas, mensuradas pelos testes de QI.

A pessoa inteligente era aquela que conseguia utilizar suas habilidades em qualquer situação de resolução de problemas. Gardner notou que existem muitas outras habilidades além da lógico-matemática. Ele separou as inteligências em sete grupos,       contemplando grandes áreas do conhecimento humano. Toda pessoa possui cada uma dessas inteligências em algum grau, umas mais desenvolvidas, outras nem tanto. O legal dessa teoria é que é possível trabalhar e aperfeiçoar cada uma dessas inteligências, dentro das capacidades individuais e biológicas. Continuar lendo “A teoria das inteligências múltiplas de Howard Gardner”

A teoria das inteligências múltiplas de Howard Gardner

Terapia Comportamental: a importância da Análise Funcional

Ao estudar padrões de comportamento, a medicina busca estabelecer padrões de normalidade se baseando em critérios estatísticos. Os termos utilizados em diagnósticos, encontrados no APA (Associação Psiquiátrica Americana) e na OMS (Organização Mundial da Saúde), foram criados com a finalidade de estabelecer uma comunicação entre os diferentes profissionais. O modelo médico, ao definir uma doença, acredita que uma terapêutica seja aplicável à todas as pessoas que apresentam sintomas, sendo essa terapêutica, em geral, farmacológica.

O modelo da psicologia clínica vem da medicina psiquiátrica e pode ser chamado de modelo quase-médico. É um modelo que se esbarra na dicotomia entre normal e patológico e considera as respostas “disfuncionais” como sintomas da doença, que é subjacente. A diferença entre esse modelo e o modelo médico é o de que, esta, acredita que nem sempre seja necessário utilizar fármacos no tratamento. Continuar lendo “Terapia Comportamental: a importância da Análise Funcional”

Terapia Comportamental: a importância da Análise Funcional

Treinamento de Pais e Habilidades Sociais Educativas

O temperamento impulsivo, desafiador e intolerante a frustrações, associado a déficits cognitivos e inabilidade no manejo social podem constituir um quadro de características de comportamentos inadequados, caso a criança obtenha ganhos com a não realização de tarefas, acesso a privilégios e atenção. Famílias disfuncionais são chamadas de negligentes, com pouca ou nenhuma autoridade ou envolvimento com a criança.

O modelo eficiente, ou democrático-recíproco, onde a disciplina é construída a partir de uma base de confiança mútua, onde os pais adotam um estilo mais contratual com a criança, sob a forma de combinados, é o que mostra mais resultados positivos.

Programas direcionados aos pais foram criados em muitos países. São programas que os ensinam a ser “terapeutas comportamentais” de si e dos próprios filhos. Qualquer modificação efetiva e duradoura dos comportamentos da criança pressupõe uma mudança prévia na forma com que os cuidadores lidam com ela. Continuar lendo “Treinamento de Pais e Habilidades Sociais Educativas”

Treinamento de Pais e Habilidades Sociais Educativas

Utilizando o brincar na Terapia Comportamental

Independente do pressuposto teórico, o brincar é um instrumento necessário para o atendimento psicológico infantil, uma ferramenta de intervenção e de comunicação indispensável. O brincar pode significar instrumento de exploração do mundo, expressão de sentimento ou meio de comunicação.

O brincar como terapia

O brinquedo passou a ser investigado com mais seriedade a partir do final do século XIX. Analisando por uma perspectiva histórica, Freud deve ser considerado o primeiro a reconhecer a utilidade da brincadeira num processo terapêutico, com seu relato do caso do “Pequeno Hans”, entretanto ele não gostava da ideia de uma psicanálise infantil. Os trabalhos de Melanie Klein (a desenvolvedora da técnica do brincar como conhecemos atualmente), Ana Freud (que discordava de Klein em vários pontos) e Winnicott (que via o brincar como algo terapêutico em si mesmo), desde a década de 1920, são modelos de utilização da brincadeira como instrumento de entendimento da criança. Na década de 1950, Piaget observou de forma sistemática o papel do jogo nas fases do desenvolvimento infantil. Continuar lendo “Utilizando o brincar na Terapia Comportamental”

Utilizando o brincar na Terapia Comportamental

Transtornos de ansiedade: uma visão analítico-comportamental

A definição de ansiedade dá-se como um estado emocional desagradável acompanhado de desconforto somático, que guarda relação com o medo. Também é frequentemente definida por três perspectivas de observação diferentes: uma com base na descrição verbal do estado interno; pela avaliação de padrões fisiológicos e comportamentais; e por meio de operações experimentais. Enquanto fenômeno clínico, define-se a ansiedade: quando implica um comportamento ocupacional do indivíduo, que comprometa suas atividades profissionais, sociais e acadêmicas; quando envolve um grau de sofrimento considerado pelo indivíduo como significativo; e quando as respostas de evitação e eliminação ocuparem a maior parte do dia.

Esquiva fóbica, uma resposta emitida na presença de um evento ameaçador, com a intenção de amenizar ou adiar esse evento, é um padrão característico dos transtornos de ansiedade. A contingência de fuga/esquiva pode ser mantida pelo adiamento ou retirada do evento aversivo. Atualmente, propõe-se a exposição com prevenção de respostas como principal estratégia, que pode ser realizada de maneira imaginária ou com a exposição real. Porém, também é importante verificar as variáveis de natureza encoberta e como a proposta de intervenção poderia ser ampliada. Continuar lendo “Transtornos de ansiedade: uma visão analítico-comportamental”

Transtornos de ansiedade: uma visão analítico-comportamental