O manejo de uma terapia analítico-comportamental

Colombinin e Perguer, em um artigo, descrevem doze sessões de terapia analítico-comportamental com uma cliente, em uma clínica-escola. Descrevem a cliente como uma mulher de 54 anos, camareira, solteira, branca, católica e com nível de escolaridade Ensino Médio. Uma análise baseada em teóricos da área foi feita a partir da descrição de cada sessão.

Para começar

Na primeira sessão, a cliente fez relatos de sua vida de maneira genérica, utilizando muito a conjunção “mas”. Os autores sugerem que na primeira sessão o terapeuta forneça uma compreensão sobre o problema apresentado e que o terapeuta fale menos que o cliente. Indicam, também, que quaisquer relatos sejam reforçados com atenção social, o que estimula positivamente o comportamento de ir à terapia. Além disso, o terapeuta deve se portar como uma audiência não-punitiva, ouvir o cliente sem criticá-lo ou julgá-lo, afim de estabelecer confiança. Continuar lendo “O manejo de uma terapia analítico-comportamental”

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O manejo de uma terapia analítico-comportamental

A teoria das inteligências múltiplas de Howard Gardner

O que é inteligência? Tente definir esse conceito! Fazer isso não é fácil, e muitos já tentaram buscar uma definição. Para o senso comum, há um conceito de inteligência, alimentado pelo nosso sistema escolar. Um aluno inteligente é aquele quietinho, que faz tudo o que o professor pede e só tira nota dez.

Bem, acontece que a inteligência não é definida apenas por isso. Howard Gardner, um psicólogo estadunidense, desenvolveu uma teoria conhecida como teoria das inteligências múltiplas (IM). Essa teoria veio de encontro com a ideia de que a inteligência seria definida apenas pelas habilidades lógico-matemáticas, mensuradas pelos testes de QI.

A pessoa inteligente era aquela que conseguia utilizar suas habilidades em qualquer situação de resolução de problemas. Gardner notou que existem muitas outras habilidades além da lógico-matemática. Ele separou as inteligências em sete grupos,       contemplando grandes áreas do conhecimento humano. Toda pessoa possui cada uma dessas inteligências em algum grau, umas mais desenvolvidas, outras nem tanto. O legal dessa teoria é que é possível trabalhar e aperfeiçoar cada uma dessas inteligências, dentro das capacidades individuais e biológicas. Continuar lendo “A teoria das inteligências múltiplas de Howard Gardner”

A teoria das inteligências múltiplas de Howard Gardner

Terapia Comportamental: a importância da Análise Funcional

Ao estudar padrões de comportamento, a medicina busca estabelecer padrões de normalidade se baseando em critérios estatísticos. Os termos utilizados em diagnósticos, encontrados no APA (Associação Psiquiátrica Americana) e na OMS (Organização Mundial da Saúde), foram criados com a finalidade de estabelecer uma comunicação entre os diferentes profissionais. O modelo médico, ao definir uma doença, acredita que uma terapêutica seja aplicável à todas as pessoas que apresentam sintomas, sendo essa terapêutica, em geral, farmacológica.

O modelo da psicologia clínica vem da medicina psiquiátrica e pode ser chamado de modelo quase-médico. É um modelo que se esbarra na dicotomia entre normal e patológico e considera as respostas “disfuncionais” como sintomas da doença, que é subjacente. A diferença entre esse modelo e o modelo médico é o de que, esta, acredita que nem sempre seja necessário utilizar fármacos no tratamento. Continuar lendo “Terapia Comportamental: a importância da Análise Funcional”

Terapia Comportamental: a importância da Análise Funcional

Treinamento de Pais e Habilidades Sociais Educativas

O temperamento impulsivo, desafiador e intolerante a frustrações, associado a déficits cognitivos e inabilidade no manejo social podem constituir um quadro de características de comportamentos inadequados, caso a criança obtenha ganhos com a não realização de tarefas, acesso a privilégios e atenção. Famílias disfuncionais são chamadas de negligentes, com pouca ou nenhuma autoridade ou envolvimento com a criança.

O modelo eficiente, ou democrático-recíproco, onde a disciplina é construída a partir de uma base de confiança mútua, onde os pais adotam um estilo mais contratual com a criança, sob a forma de combinados, é o que mostra mais resultados positivos.

Programas direcionados aos pais foram criados em muitos países. São programas que os ensinam a ser “terapeutas comportamentais” de si e dos próprios filhos. Qualquer modificação efetiva e duradoura dos comportamentos da criança pressupõe uma mudança prévia na forma com que os cuidadores lidam com ela. Continuar lendo “Treinamento de Pais e Habilidades Sociais Educativas”

Treinamento de Pais e Habilidades Sociais Educativas

Utilizando o brincar na Terapia Comportamental

Independente do pressuposto teórico, o brincar é um instrumento necessário para o atendimento psicológico infantil, uma ferramenta de intervenção e de comunicação indispensável. O brincar pode significar instrumento de exploração do mundo, expressão de sentimento ou meio de comunicação.

O brincar como terapia

O brinquedo passou a ser investigado com mais seriedade a partir do final do século XIX. Analisando por uma perspectiva histórica, Freud deve ser considerado o primeiro a reconhecer a utilidade da brincadeira num processo terapêutico, com seu relato do caso do “Pequeno Hans”, entretanto ele não gostava da ideia de uma psicanálise infantil. Os trabalhos de Melanie Klein (a desenvolvedora da técnica do brincar como conhecemos atualmente), Ana Freud (que discordava de Klein em vários pontos) e Winnicott (que via o brincar como algo terapêutico em si mesmo), desde a década de 1920, são modelos de utilização da brincadeira como instrumento de entendimento da criança. Na década de 1950, Piaget observou de forma sistemática o papel do jogo nas fases do desenvolvimento infantil. Continuar lendo “Utilizando o brincar na Terapia Comportamental”

Utilizando o brincar na Terapia Comportamental

Transtornos de ansiedade: uma visão analítico-comportamental

A definição de ansiedade dá-se como um estado emocional desagradável acompanhado de desconforto somático, que guarda relação com o medo. Também é frequentemente definida por três perspectivas de observação diferentes: uma com base na descrição verbal do estado interno; pela avaliação de padrões fisiológicos e comportamentais; e por meio de operações experimentais. Enquanto fenômeno clínico, define-se a ansiedade: quando implica um comportamento ocupacional do indivíduo, que comprometa suas atividades profissionais, sociais e acadêmicas; quando envolve um grau de sofrimento considerado pelo indivíduo como significativo; e quando as respostas de evitação e eliminação ocuparem a maior parte do dia.

Esquiva fóbica, uma resposta emitida na presença de um evento ameaçador, com a intenção de amenizar ou adiar esse evento, é um padrão característico dos transtornos de ansiedade. A contingência de fuga/esquiva pode ser mantida pelo adiamento ou retirada do evento aversivo. Atualmente, propõe-se a exposição com prevenção de respostas como principal estratégia, que pode ser realizada de maneira imaginária ou com a exposição real. Porém, também é importante verificar as variáveis de natureza encoberta e como a proposta de intervenção poderia ser ampliada. Continuar lendo “Transtornos de ansiedade: uma visão analítico-comportamental”

Transtornos de ansiedade: uma visão analítico-comportamental

Lidando com o comportamento suicida em psicoterapia

Falar sobre suicídio é algo delicado, porém muito importante. No Brasil, dados do Ministério da Saúde, coletados entre 2011 e 2015, apontam um crescimento de 12% no número de suicídios. São dados alarmantes, que devem ser colocados em pauta.

As diversas áreas do conhecimento em saúde são de grande importância para a prevenção de novos casos. Uma delas é a psicologia, que possui vasto conhecimento para ajudar na reversão desses desses índices. Não é um texto que aborda uma teoria principal, mas sim questões que todo profissional deve ficar atento ao lidar com clientes com tendências suicidas. Fukumitsu faz bons apontamentos sobre como o psicoterapeuta deve lidar com o comportamento suicida, fiz algumas anotações sobre os principais pontos. Continuar lendo “Lidando com o comportamento suicida em psicoterapia”

Lidando com o comportamento suicida em psicoterapia

Ensaio Comportamental: trabalhando a assertividade

Ensaio Comportamental é um procedimento utilizado para ensinar comportamentos por meio de treinamentos, em práticas de intervenção. A técnica inspirou-se nos trabalhos de Moreno, criador do Psicodrama, e de Wolpe e Lazarus. Esses autores buscavam a aprendizagem de novos padrões de comportamentos que deveriam ser emitidos diante dos estímulos eliciadores de medo. Salter, autor que apontava a importância da aquisição de comportamentos assertivos nos processos terapêuticos, também serviu como inspiração para a técnica do Ensaio Comportamental; assim como os trabalhos de Skinner, criador do Behaviorismo Radical, que contribuiu para a compreensão das leis que regem os comportamentos. Continuar lendo “Ensaio Comportamental: trabalhando a assertividade”

Ensaio Comportamental: trabalhando a assertividade

Aprendendo a lidar com o luto: Terapia Cognitivo-Comportamental

Passar por uma situação de luto não é fácil. Cada um lida de determinada forma com esse momento de perda e tristeza. A Psicologia pode ajudar, também, nesse tipo de situação, acolhendo o sujeito e fornecendo suporte e estratégias para o enfrentamento e superação do luto. Veja como a Terapia Cognitivo-Comportamental pode contribuir nesse tipo de caso.

O luto

Para entender o luto, é necessário compreender as diferentes concepções de morte. Houve um período em que a morte era vista como natural ao ser humano, tranquila e resignada. Sua vivência dava-se no âmbito familiar, numa cerimônia pública, como ocorria na Idade Média. A finitude da morte era ligada às religiões e suas causas eram atribuídas a um ser divino, com a ideia de paraíso, inferno e ressurreição. Algumas mudanças socioculturais provocaram o distanciamento da morte do cotidiano, fazendo com que a morte fosse camuflada, passando a ser vista como tabu. Com o passar dos séculos, houve a ruptura entre morte e religião, foi onde a ciência passou a explicar as doenças e as causas das mortes. Isso impulsionou o desenvolvimento tecnológico, que passou a adiar a morte, novas técnicas e medicamentos. Isso acarretou na impossibilidade de expressão de dor pela morte, uma repressão desses sentimentos. O significado de morte também varia de acordo com a cultura, religião e credo, assim como o tipo de morte. Continuar lendo “Aprendendo a lidar com o luto: Terapia Cognitivo-Comportamental”

Aprendendo a lidar com o luto: Terapia Cognitivo-Comportamental

Psicologia, medo e ansiedade

Dia das Bruxas e medo caminham juntos. Quem é que nunca sentiu medo na vida? Este texto traz uma explicação sobre o sentimento de medo, na visão da psicologia comportamental.

O medo e a ansiedade são, muitas vezes, considerados sinônimos, entretanto o que os diferencia é a presença ou ausência de estímulos desencadeadores externos e o comportamento de evitação. Quando o desencadeador externo que provoca comportamento de fuga ou evitação é óbvio, considera-se medo; já a ansiedade é um estado emocional aversivo, sem desencadeadores claros, que não podem ser evitados.

As teorias das emoções consideram o medo uma emoção básica, presente em todas as idades, culturas, etnias e espécies; a ansiedade seria uma mistura de emoções, sendo o medo a predominante. Além disso, a ansiedade pode incluir tristeza, vergonha, culpa, ou cólera, curiosidade, interesse ou excitação. Continuar lendo “Psicologia, medo e ansiedade”

Psicologia, medo e ansiedade