A teoria das inteligências múltiplas de Howard Gardner

O que é inteligência? Tente definir esse conceito! Fazer isso não é fácil, e muitos já tentaram buscar uma definição. Para o senso comum, há um conceito de inteligência, alimentado pelo nosso sistema escolar. Um aluno inteligente é aquele quietinho, que faz tudo o que o professor pede e só tira nota dez.

Bem, acontece que a inteligência não é definida apenas por isso. Howard Gardner, um psicólogo estadunidense, desenvolveu uma teoria conhecida como teoria das inteligências múltiplas (IM). Essa teoria veio de encontro com a ideia de que a inteligência seria definida apenas pelas habilidades lógico-matemáticas, mensuradas pelos testes de QI.

A pessoa inteligente era aquela que conseguia utilizar suas habilidades em qualquer situação de resolução de problemas. Gardner notou que existem muitas outras habilidades além da lógico-matemática. Ele separou as inteligências em sete grupos,       contemplando grandes áreas do conhecimento humano. Toda pessoa possui cada uma dessas inteligências em algum grau, umas mais desenvolvidas, outras nem tanto. O legal dessa teoria é que é possível trabalhar e aperfeiçoar cada uma dessas inteligências, dentro das capacidades individuais e biológicas.

Trata-se de uma pluralização do conceito tradicional de inteligência. Ademais, uma determinada inteligência pode manifestar-se de maneira diferente em cada indivíduo. É um conceito que se relaciona com a neurologia, pois as múltiplas inteligências estão espalhadas, com diferentes localizações na estrutura cerebral.

Howard Gardner definiu sete inteligências, e são elas:

Inteligência musical

Para o autor, existem vínculos biológicos com o bom desenvolvimento da inteligência musical; e esta pode ser comprovada como uma inteligência independente a partir do momento em que não se encontra vínculos com a capacidade linguística, como crianças autistas que conseguem tocar um instrumento com grande habilidade. Para a IM, a capacidade musical não possui uma localização exata no cérebro e foi uma habilidade que desempenhou um papel unificador nas sociedades paleolíticas.

Sabe aquele(a) seu amigo(a) que domina muito bem um instrumento musical? Ele(a) possui um bom grau de desenvolvimento dessa inteligência.

Inteligência corporal-cinestésica

Conhecer e dominar os movimentos corporais satisfaz muitos dos critérios de uma inteligência. Você não utiliza seu corpo para resolver um problema de lógica, porém é preciso um grande domínio motor para expressar sentimentos e emoções por meio do corpo, ou até mesmo para vencer algum jogo. Essa inteligência é muito desenvolvida em pessoas que dançam com muita desenvoltura, já que para isso é preciso um grande controle sobre o corpo. O responsável pelo movimento corporal é o córtex motor, com cada hemisfério controlador dos movimentos corporais no lado contralateral (lado esquerdo do cérebro controla o lado direito do corpo).

Inteligência lógico-matemática

Dentre as sete inteligências definidas por Gardner, essa é a mais clássica. Amplamente estudada por várias áreas do conhecimento, era tida como “a inteligência”, e diversos testes foram criados para mensurá-la (foi a base para os testes de QI). É uma inteligência não-verbal, e é um grande mistério saber como uma pessoa chega à solução de um problema lógico-matemático, não há uma resposta concreta. Um fato é que a solução de um problema pode ser construída antes de ser articulada, e esse processo pode parecer invisível. Mesmo que uma pessoa demonstre menor grau de desenvolvimento das demais inteligências, ela ainda pode ser ótima em cálculo.

Inteligência linguística

Possuir o dom da linguagem é universal e notamos um constante, e surpreendente, desenvolvimento nas crianças, em todas as culturas. Até mesmo em populações surdas, onde nenhuma linguagem de sinais foi ensinada, as crianças criam formas manuais de comunicação. Essa inteligência envolve produção de sentenças gramaticais e compreensão de palavras, ou seja, o domínio de alguma linguagem. Existe uma área especifica do cérebro, chamada de “Centro de Broca”, que é responsável pela produção de sentenças gramaticais. O dano nessa área pode causar dificuldade na formação de frases complexas.

Inteligência espacial

Ligada à solução de problemas espaciais, como navegação e uso de mapas, saber localizar-se. Inteligência utilizada nas artes visuais, pois um bom pintor possui uma boa noção do espaço, distâncias e medidas que serão representados na tela. Gardner diz que o hemisfério cerebral direito é o local mais crucial do processamento espacial. Há uma distinção entre inteligência espacial e percepção visual, ilustrada pelas pessoas cegas. Uma pessoa cega é capaz de reconhecer formas de maneira indireta, através do tato, o que equivale à modalidade visual na pessoa que enxerga. Nota-se que existem poucas crianças-prodígio entre os artistas visuais; talvez essa inteligência leve mais tempo para ser desenvolvida.

Inteligência interpessoal

Perceber distinções entre os outros, como contrastes em seus estados emocionais, temperamentos, motivações e intenções, são características da inteligência interpessoal. Uma pessoa avançada nessa inteligência seria capaz de perceber intenções de outras, mesmo que tentassem disfarçá-las. Capacidade comum em líderes religiosos e políticos, professores e terapeutas. Pesquisas apontam que os lobos frontais desempenham um papel importante no conhecimento interpessoal. Inteligência essencial para a vida humana, já que nossa prolongada infância requer um zelo rigoroso da mãe, além de ser útil para a organização da sociedade, onde pessoas desempenham papéis de liderança e solidariedade.

Inteligência intrapessoal

Refere-se à essa inteligência o conhecimento dos aspectos internos do sujeito: conhecimento das próprias emoções e da capacidade de descrevê-las, entendê-las e de orientar o próprio comportamento. Quando essa inteligência é baixa, a vida do sujeito precisa ser mais literal, ser evidente a partir da linguagem, de alguma forma mais expressiva de inteligência para que ele a perceba em funcionamento. Assim como a inteligência interpessoal, esta possui ligação com os lobos frontais, responsáveis por mudanças de personalidade. Gardner sugere que a capacidade intuitiva é mais importante em uma espécie que não mais necessita lutar pela sobrevivência.

Concluindo

Reconhecer a pluralidade das inteligências, segundo Gardner, é o primeiro passo importante numa tentativa de resolver os vários problemas do mundo. Se nossas habilidades e áreas do conhecimento são inúmeras, resumir a inteligência em apenas um conceito ou habilidade não faria sentido.

Por isso deixar a ideia de que o pensamento lógico é a mais pura forma de inteligência é necessário, pois apenas a lógica não é o suficiente. O maior desafio localiza-se na área educacional, que não consegue dar conta de trabalhar todas as sete inteligências propostas pelo autor. Talvez isso explique o grande desinteresse de diversos alunos e baixos rendimentos escolares. Enquanto o sistema educacional não abarcar todas essas habilidades e conhecimentos, estaremos desperdiçando muitos talentos, deixando de potencializar inteligências em destaque e de aprimorar aquelas que se apresentam menos desenvolvidas, nem mesmo proporcionando um espaço adequado para que elas floresçam.

Referência bibliográfica

GARDNER, Howard. Uma versão aperfeiçoada. In: Inteligências múltiplas: a teoria na prática. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995.

Alan Martins

Teoria das Inteligências Múltiplas Howard Gardner
Editado sobre diversas imagens publicadas sob Licença (CC0 1.0).

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A teoria das inteligências múltiplas de Howard Gardner

12 comentários sobre “A teoria das inteligências múltiplas de Howard Gardner

  1. Alan, já ouviu falar do termo Big Five na Psicologia? É um princípio bem semelhante a esse conceito do seu post, só que ele está mais relacionado ao tipo de personalidade que a pessoa tem, e não como uma forma de inteligência.
    Li isso em alguma revista científica uma vez, mas foi tratado de forma bem superficial. Porém, me pareceu bastante interessante. Procurei material na internet para entender mais um pouco, mas tinha pouquíssima coisa. Já hoje, com uma pesquisa rápida no Google, encontrei mais sobre ele.

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    1. Já vi sim, esse é um conceito muito utilizado na Psicologia Organizacional. Pode ser utilizado pelo psicólogo da empresa para avaliação na hora de contratar novas pessoas. Como é uma ideia sobre diferentes tipos de personalidade, mostra-se útil para avaliar se a personalidade do candidato se adéqua ao esperado para o cargo almejado.
      Acho que vou escrever um pouco sobre isso qualquer hora, acho que seria legal.
      Obrigado pela dica! 🙂

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    1. Verdade, é uma teoria de inclusão, pois não vê a pessoa por fora, mas sim quais habilidades estão mais desenvolvidas. Um olhar assim é potencializador, por trabalhar com aquilo que cada um apresenta. Diferente de uma escola que só vê a lógica e a linguística.
      Obrigado pela visita.
      Abraço. 😀

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    1. Até onde sei, não, são ideias distintas, sem qualquer relação. As pesquisas de Howard Gardner, que ainda está na ativa, são baseadas em pesquisas empíricas, com bastante rigor. Pelo o que conheço, os sistemas representacionais não são estudos de grande rigor científico, faltam evidências (são ideias que sofrem esse tipo de crítica, assim como a acupuntura). Sistemas representacionais não é algo estudado em cursos de Psicologia, ao menos nunca ouvi falar (no Brasil).

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