A depressão na Terapia cognitivo-comportamental

Aaron Beck e Albert Ellis concluíram que a depressão é o resultado de hábitos de pensamentos arraigados. O humor e comportamentos negativos seriam resultados de pensamentos e crenças distorcidas, diferente do modelo do inconsciente freudiano. Clientes depressivos agem como se as coisas estivessem piores do que realmente estão. A terapia cognitiva, ou a terapia cognitivo-comportamental (TCC), é a forma mais pesquisada no tratamento de qualquer tipo de transtorno psicológico.

Beck criou o modelo cognitivo da depressão pressupondo dois elementos básicos: a tríade cognitiva e as distorções cognitivas. A tríade cognitiva é a visão negativa de si mesmo, onde a pessoa se enxerga como inadequada ou inapta. As distorções cognitivas são questões centrais na depressão. Indivíduos depressivos possuem a tendência de estruturar suas experiências de maneira absoluta e inflexível, acarretando em erros de interpretação quanto ao desempenho pessoal e do julgamento das situações externas. Decorrem de padrões estáveis adquiridos ao longo da vida e são sensíveis à ativação de fontes primárias, como o estresse.

Vale lembrar que, em relação a tratamentos farmacológicos, diversos estudos apontam que a TCC possui maior eficácia significativa na depressão, dando uma maior garantia significativa de duração, quando comparados.

Objetivos da terapia

O que a TCC da depressão visa é a modificação de crenças e comportamentos que produzem determinados estados de humor. Se trabalha em três fases. O foco nos pensamentos automáticos e esquemas depressogênicos; foco no estilo da pessoa relacionar-se com outros; e mudança de comportamento a fim de obter melhor enfrentamento da situação-problema. A participação ativa do cliente na TCC é uma de suas vantagens.

É importante que seja trabalhado o comportamento, já que o alivio dos sintomas é o foco inicial. O agendamento e monitoramento constitui em instruir o cliente a registrar suas atividades a cada hora, durante alguns dias. Essa atividade pode apresentar a relação entre sintomas depressivos e a falta de comportamentos propositados e positivos, facilitando a resolução de problemas.

Foco nos pensamentos

Nas sessões iniciais, o terapeuta ajudará o cliente a identificar as crenças disfuncionais especificas associadas à depressão; as distorções cognitivas mais comuns e a caracterização dos pensamentos automáticos; as reações fisiológicas, emocionais e comportamentais consequentes aos pensamentos; quais comportamentos foram desenvolvidos para enfrentar as crenças disfuncionais; e como as experiências anteriores têm contribuído na manutenção das crenças do cliente.

Na evocação de pensamentos e pressupostos, o cliente é estimulado a enfrentar os problemas relacionados ao episódio depressivo maior e o terapeuta não deve ajudá-lo em cada problema, para que ele possa fortalecer suas próprias habilidades. O terapeuta pode utilizar a explicação de como os pensamentos geram sentimentos, fazendo perguntas sobre o que pensou em determinado momento, ou o que está se passando em sua mente no exato momento. O registro de pensamentos disfuncionais é um recurso que facilita ao indivíduo a recordação de eventos, pensamentos e sentimentos entre as sessões, sendo possível anotar determinado evento e o que pensou em seguida. O Registro de Pensamentos com Base no Processo é útil para tornar os clientes conscientes de suas crenças nucleares sobre si mesmos e estimular a criação de crenças nucleares mais positivas. A seta descendente é um método para o desenvolvimento do raciocínio autônomo, ajudando a atingir crenças que mantêm o quadro depressivo.

Duração da terapia

A duração do tratamento da TCC pode variar, podendo se estender em até 12 meses, caso seja necessário. Porém, geralmente preza-se um tratamento a curto prazo, com média de 6 a 20 sessões. Destinam-se as sessões finais à avaliação dos ganhos com a terapia e à prevenção de recaída. A melhora do cliente pode ser um recurso para o enfrentamento de novas situações onde há perdas e adaptações. O fato de o cliente aprender a ser o cliente de si mesmo facilita o enfrentamento da recorrência dos sintomas, e as sessões finais devem abordar essa questão.

Referência bibliográfica

POWELL, Vania Bitencourt et al. Terapia cognitivo-comportamental da depressão. Rev. Bras. Psiquiatr., 30-2, p. 73-80, Out. 2008.

Alan Martins

Pessoa com depressão, pensamentos distorcidos, dor, tristeza
Ilustração que representa bem os pensamentos distorcidos, por isso a TCC mostra-se eficaz em casos de depressão. Imagem de John Hain. Publicada sob Licença (CC0 1.0). Disponível em: https://pixabay.com/photo-1250897/.

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A depressão na Terapia cognitivo-comportamental

51 comentários sobre “A depressão na Terapia cognitivo-comportamental

  1. Me lembrei que minha mãe também amava Psicologia.Ela também amava Direito e foi ser advogada.Mas,se não fosse advogada,ela teria sido psicóloga.Ela não estudou nem se formou em Psicologia,mas naturalmente usava a Psicologia na profissão é na vida.Acho que era dela,ela nasceu com um quê de advogada é de psicóloga.Uma das coisas que ela falava era que num conflito,o bom é ver o ponto de vista de cada um dos envolvidos é também o ponto da pessoa que está de fora do conflito.Outra coisa que ela dizia era que naturalmente ficava observando as pessoas,em qualquer lugar,ficava analisando o que as pessoas estariam pensando,sentindo,a natureza humana.

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    1. Ninguém te conhece melhor do que você mesmo. Às vezes temos bloqueios que distorcem nossas compreensões, aí a psicoterapia é de grande ajuda. Entretanto, sempre deve-se ouvir o outro, sem tentar impor e sair psicologizando tudo por aí. É preciso cautela e compreensão.

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      1. Sim,minha mãe sempre foi corretíssima.Sempre que alguém chegava até ela com alguma coisa,era ouvido(a) e orientado(a) de forma certeira.E ela tinha uma sabedoria!Qualquer pessoa podia seguir sem pensar as orientações dela,que sempre se dava bem.Todos que chegavam até ela com alguma dúvida,algum problema,saíam com respostas, certezas e soluções sempre sem nenhum erro.Independente de estudo,no fundo ela era uma pessoa sábia.Ela podia sofrer pela pessoa não seguir o melhor caminho mas ela sabia que a vida era da própria pessoa,ela podia tentar abrir os olhos da pessoa,mas sabia que só a própria pessoa é que podia fazer as escolhas.Ela podia ficar muito triste pela pessoa,mas não cobrava e nem maltratava,se a pessoa não seguiu o caminho certo.Minha mãe realmente sabia das coisas.Não digo porque é minha mãe não,eu comprovei,comigo e com os outros.Ela nunca psicologizou nem impôs nada a ninguém.Ela tinha uma compreensão das coisas acima das outras pessoas.É dela.

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      2. Desculpe por falar tanto da minha mãe.É que me lembrei que ela tinha essa coisa da análise,da autoanálise, na vida dela.A Psicologia fazia parte da vida dela.Ela não fazia terapia com ningué.Ela fazia com ela mesma,se conhecia,se compreendia,se analisava.

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      3. O autoconhecimento é muito importante. O que mostra que não é todo mundo que precisa fazer uma psicoterapia, pois isso seria psicologizar, essa generalização. Porém, nem sempre conseguimos lidar com todas as situações sozinhos, aí é que uma ajuda seria de importância. Algo rápido, breve.

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      4. Sim,concordo.Mas às vezes o tratamento pode ser mais demorado,não é?Pode até precisar de remédio,para tomar.Mas nesse caso seria psiquiatria,não é?A psicologia tem o tratamento,mas sem substância química,não é?É isso ou estou errada?

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      5. Sim, há casos que podem levar mais tempo e alguns necessitam, também, do uso de medicamentos, os psicofármacos. Essa parte é somente com um psiquiatra, pois psicólogos não possuem o poder de receitar medicamentos. As psicoterapias são algo à parte dos medicamentos, mas que podem ser utilizadas em conjunto, se assim for necessário.

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      6. Esse assunto é bem interessante.Para mim,uma coisa vai puxando a outra e outra…E aparece uma questão que dá vontade de saber mais,entender melhor.Apesar disso,não penso em estudar Psicologia,não.Pelo menos por enquanto.É aquela coisa,cada pessoa tem o seu dom.

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      7. Um psicólogo jamais irá se compreender sozinho. Estudar psicologia para se autoconhecer seria o mesmo que fazer medicina para fazer uma cirurgia em si próprio (é meio difícil). É sempre indicado uma psicoterapia, mesmo para quem é formado em psicologia, o que é importante também para a formação.

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  2. Parabéns,Alan!Vc será um futuro psicólogo.Sobre depressão,existe “depressão mais leve e mais pesada”,ou seja,tem gente que pode estar com um pouco de depressão,mas que ainda consiga seguir com a vida,fazer as atividades do dia a dia,sair para passear,ir ao teatro,cinema,se divertir,ver TV,computador,ler,ir a festas,falar com os amigos,parentes,familiares,namorar,ou continuar bem no casamento,ou a depressão é só pesada mesmo,detona a pessoa,atrapalha toda a vida?

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    1. A depressão possui diversos sintomas, e não é todo mundo que lida com ela da mesma forma. Depressão mesmo é só um termo para designar certo estado no qual uma pessoa se encontra, que pode ser causado por vários fatores. É mais correto falar que a pessoa encontra-se em estado depressivo. O clichê é uma pessoa triste, que não sente vontade de nada. Porém, ela mode ser manifesta de outro modo, e nem a todo momento. Por isso não dá para diagnosticar alguém, precisamente, em apenas uma sessão de psicoterapia. Todos esses fatores que você citou podem fazer parte, mas nem todos podem estar presentes.

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      1. Então,se entendi,pode ser que uma pessoa pode estar levemente depressiva.Por favor,não me leve a mal,é só curiosidade,não é uma prova final de faculdade,não tive essa intenção.A gente sempre quer aprender,saber mais,é do ser humano,né?

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  3. Olá!Mais um post maravilhoso!Aproveito esse assunto sério para uma conversa mais leve,espero que vc não se incomode.Lembrando de um outro post seu,em que falava de sonhos,vc ainda tem sonhos com aquele lugar bonito,com natureza,que vc contou no post e tenho certeza que fez seus leitores viajarem no seu sonho?Você faz ou já fez faculdade de Psicologia e/ou Literatura?Seus posts são como aulas,cheios de conteúdos.Parabéns,é brilhante!

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    1. Eu ainda sonho com aquele lugar, mas o engraçado é que nem sempre o lugar está do mesmo jeito. Acaba ficando uma mistura de vários lugares, porém a localização original existe.
      Estudo psicologia, logo me formarei! E é muito ler isso, que gosta dos posts e acha interessante a leitura, que ficou bem explicado. Agradeço muito as suas palavras.
      Abraço.

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      1. Bem,fiquei preocupada,Espero que vc não tenha se aborrecido,quando falei sobre uma conversa mais leve,no comentário que fiz lá em cima,com relação o assunto sério que vc tratou no seu post.Considero a conversa séria também,mas não exatamente sobre o assunto do seu post.Eu gostei,é sempre um aprendizado,ainda mais sobre a depressão,um mal que pode causar tantos outros males,até pode matar.E muitas pessoas hoje vivem esse drama da depressão.

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      2. Eu sou uma pessoa bem-humorada, geralmente trato os assuntos de forma leve, mesmo os sérios. Não gosto de fazer dramas para chamar atenção. Acho que falar de uma forma mais leve pode ser até mais eficiente. Não se preocupe, não fiquei aborrecido!

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      3. É,amigo,são os segredos da mente humana.A mente humana ainda não foi totalmente compreendida,né?Eu quase nada sei de Psicologia,mas acho que a mistura de vários lugares no seu sonho deve ser a impressões de vários lugares que vc viu,e/ou por onde vc passou,quando acordado,e essas impressões ficaram na sua mente e aparecem no seu sonho.Nada preocupante,eu acho.Concorda?Abraço!

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      4. Psicanalistas podem buscar algum significado para o sonho, coisas do inconsciente vindo à consciência durante o sonho. Mas, os sonhos são um grande mistério. Quantas coisas sonhamos das quais não lembramos. Tenho o caso curioso de me lembrar de sonhos parecidos, e acho que não deve haver um significado oculto neles. O mistério continua.

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      5. Você acredita que sonhos podem ter algo de sobrenatural,de premonição,que podem ser respostas divinas para nossas perguntas ou vc entende que os sonhos são apenas sobre as coisas do dia a dia?No meu modo de entender,os sonhos podem ter algo especial,ou podem ser só sobre algo que se viu na TV,por exemplo.Para mim,depende do caso,do sonho.Deve ser totalmente condenável para vcs psicólogos mas tem vezes que procuro significado de sonho em livros,revistas.

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  4. Apesar de não ter tido depressão, fiz várias sessões com a Terapia Cognitivo-Comportamental. Mudei muito o meu comportamento e sei que foi uma das experiências mais engrandecedoras para mim, pois agora sei lidar melhor comigo mesmo e com o mundo à minha volta.

    Gostei muito do texto, assim como do blog. Ótimos!

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    1. É muito legal ler algo do tipo, pois me dá ânimo em seguir essa profissão!
      As terapias comportamentais trabalham com focos, qual questão o cliente deseja trabalhar. E trabalhando uma, outras podem obter benefícios, como você mesmo falou, mudou vários comportamentos, conseguiu se adaptar melhor à diversas questões.
      Mesmo não tendo um problema sério como a depressão, qualquer um pode tirar algum proveito de uma psicoterapia bem aplicada.
      Obrigado pelo elogio e por comentar.
      Grande abraço!

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    1. Como meu foco é a terapia comportamental, fica mais fácil para eu escrever sobre essa teoria, até para que fique mais preciso. Eu preciso estudar um pouco mais as outras teorias para escrever um bom texto, ainda mais em casos específicos assim, como a depressão. Mas, ainda não esqueci de trazer um post apresentando como cada abordagem lida com a pessoa, as diferenças entre os atendimentos e técnicas. Esse é mais simples de fazer!
      Acho interessante suas ideias e vou dar um jeito de trazer algo do tipo. Agradeço as sugestões, sempre bem-vindas.
      Obrigado pela visita.
      Grande abraço! 😀

      Curtido por 2 pessoas

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