Minhas Leituras #50: O Senhor dos anéis: o retorno do rei – J. R. R. Tolkien

Título: O Senhor dos anéis: o retorno do rei
Autor: J. R. R. Tolkien
Editora: Martins Fontes – selo Martins
Ano: 2000
Páginas: 450
Tradução: Lenita Maria Rimoli Esteves e Almiro Pisetta
Veja o livro no site da editora: http://www.emartinsfontes.com.br/senhor-dos-aneis-o-vol-3-o-retorno-do-rei-p23920/

“— Muitas pessoas gostam de saber de antemão o que vai ser servido à mesa, mas aqueles que trabalharam preparando o banquete gostam de manter o segredo, pois a surpresa faz com que os elogios soem mais alto” (TOLKIEN, J. R. R. O Senhor dos anéis: o retorno do rei. Martins Fontes, 2000, p. 250)

Um longo caminho foi percorrido pelos membros da Sociedade do Anel e a jornada chega ao final. Tolkien finaliza sua magnífica obra em alto nível, narrando grandes batalhas e grandes feitos.

O autor, o Mestre

Não é à toa que John Ronald Reuel Tolkien é chamado de Mestre. Além de escritor, foi poeta, filologista e professor universitário. Nascido em 1892, formou-se na prestigiada Universidade de Oxford, onde lecionou durante anos.

Escrever ‘O Senhor dos Anéis’ foi um ato de vários significados para ele. Como filólogo, a obra foi um grande experimento linguístico, já que várias línguas foram criadas e incorporadas ao enredo. Também foi uma nova mitologia criada para a Inglaterra. Mas foi, principalmente, uma longa história escrita para divertir e agradar o leitor. Apesar de ser possível interpretar a “trilogia” (o livro foi escrito como uma obra única), Tolkien não gostava de alegorias, então aquilo que é narrado não possui significados ocultos, não quer dizer algo a mais.

Como cristão (católico), pode-se notar uma grande inspiração do Cristianismo em suas obras, porém, segundo ele, as interpretações que podem ser feitas não foram criadas de caso pensado. C. S. Lewis utilizou o recurso da alegoria em ‘As crônicas de Nárnia’, algo que Tolkien criticou, apesar de serem grandes amigos.

Fato é que, sem Tolkien, a literatura fantástica seria menos rica e menos difundida. Muito deve-se a ele.

“Pela manhã os conselhos são melhores, e a noite altera muitos pensamentos”. p. 63

Finalizando a jornada

Ficamos sabendo, em ‘As duas torres’, que Sauron está reunindo um grande exército para atacar o reino de Gondor, que é governado pelos homens. O regente necessita de ajuda, principalmente dos cavaleiros de Rohan, que travam uma batalha contra Isengard.

Há muito o povo de Gondor espera o retorno do rei (título que, por si, é um spoiler), e isso não é um grande mistério, pois ao longo da leitura dos dois primeiros volumes já fica bem claro quem é o rei.

Os hobbits Sam e Frodo continuam em sua missão, carregando o Um Anel até Mordor, a terra do Senhor das Sombras. Uma rota cheia de perigos, que fica ainda mais perigosa com o “guia” que eles encontram pelo caminho.

Já os outros membros da Sociedade, que estavam ajudando o reino de Rohan, também partem para auxiliar Gondor na luta contra Sauron. Todavia, partem por um outro caminho, muito mais obscuro, mas necessário para terem esperanças nessa batalha.

O ápice desse volume é a grande guerra travada entre o bem e o mal. Com certeza um livro cheio de ação e revelações, finalizando a jornada iniciada em ‘O hobbit’.

“Vamos nos lembrar de que um traidor pode trair-se a si mesmo e fazer o bem que não pretende”. p. 79

Faltou algo

Fica difícil dizer que faltou algo em uma história com mais de mil páginas. Entretanto, senti que faltou um pouco de entusiasmo nas partes onde as batalhas são narradas.

Tolkien é um autor muito detalhista, na maioria das vezes detalhando o passado, a história da Terra-média, porém, em outros momentos, ele descreve coisas que não são interessantes. Por exemplo, quando Sam e Frodo caminham pelas terras de Mordor, o professor narra sempre a mesma coisa: eles caminham, se escondem, dormem, comem, e volta nesse ciclo. Capítulos inteiros são mais ou menos dessa forma.

Esse tipo de narração poderia ser encurtado, dando lugar a cenas de batalhas mais emocionantes e mais detalhadas, entusiasmando o leitor. A caminhada dos hobbits é árdua, essa dificuldade poderia ser expressa em poucos parágrafos, mas Tolkien preferiu dar destaque a isso.

Permanecendo cheio de detalhes, e com bom humor, o enredo, enfim, chega à uma conclusão. Leitura que se mostra recompensadora, algo positivo após tantas páginas. Livro revelador, onde ficamos sabendo muito sobre o universo criado por Tolkien.

“[…] ações generosas não devem ser reprimidas por conselhos frios”. p. 18

Sobre a edição

Edição simples, assim como os demais volumes, porém existem outras mais elaboradas. A edição da qual falo apresenta capa comum com orelhas, brochura, páginas em papel Sinar royal 75g/m² (material diferente dos utilizados nos dois primeiros volumes, mas de coloração branca também). Diagramação ruim, fonte pequena, pouco espaço entre linhas e margens estreitas, o que prejudica ainda mais a leitura. Esse volume foi o que apresentou maior qualidade, com a lombada bem colada, diferente da minha primeira edição de ‘A Sociedade do Anel’, que apresentou problemas.

Tradução de Lenita Maria Rimoli Esteves e Almiro Pisetta (tradutores dos três volumes e também de ‘O hobbit’). Contaram com a revisão técnica de Ronald Eduard Kyrmse, especialista em Tolkien, membro da Tolkien Society e um grande estudioso de línguas antigas. Um trabalho competente do trio, que sofre críticas de alguns fãs, principalmente pelos nomes traduzidos, de locais e de personagens. Nada que atrapalhe a leitura ou deturpe a grandeza da obra, já que se trata de um ótimo trabalho, por profissionais competentes e de acordo com o proposto por Tolkien para as traduções de suas obras.

Assim como nos dois primeiros volumes, os mapas da Terra-média estão presentes nessa edição, além de contar com vários apêndices, que somam mais de cem páginas, onde o passado dessa terra, dos reis e de vários povos é narrado, além de explicações sobre as várias línguas usadas pelas personagens desse grandioso universo.

“E, quanto a valor, isso não pode ser medido pela estatura”. p. 7

Conclusão

Falando sobre ‘O Senhor dos Anéis’ como um todo, trata-se de uma obra grandiosa, um grande feito para a literatura, para a cultura e para a linguística. Um enredo completo e complexo, ou seja, uma verdadeira mitologia. O terceiro volume finaliza a jornada da Sociedade do Anel, apresentando o destino do mundo e das personagens. Narrativa detalhada, como os demais volumes, que poderia ser mais interessante nas partes das batalhas. Porém isso não ofusca sua grandeza, mesmo que a leitura perca ritmo em certos momentos. Como o caminho percorrido por Sam e Frodo, a leitura pode parecer árdua, mas o final recompensa todo o investimento. Tolkien conseguiu aquilo que queria ao escrever o livro: que fosse épico!

“Mas o auxílio que chega sem ser esperado é duplamente abençoado […]”. p. 115

Minha nota (de 0 a 5): 4,5

Alan Martins

Capa do Livro O Senhor dos Anéis O Retorno do Rei, Martins Fontes, ilustração Geoff Taylor
Capa com uma bela ilustração de Geoff Taylor, mostrando os Nazgûl sobrevoando o campo de batalha.

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Minhas Leituras #50: O Senhor dos anéis: o retorno do rei – J. R. R. Tolkien

4 comentários sobre “Minhas Leituras #50: O Senhor dos anéis: o retorno do rei – J. R. R. Tolkien

  1. […] 1° O Senhor dos Anéis: o retorno do rei – J. R. R. Tolkien (Martins Fontes – selo Martins, 2… Volume final da “Trilogia do Anel”, que marca o fim da Terceira Era de Arda. A jornada de cada membro da Sociedade chegará ao final, com muitas surpresas aguardando-os. Esse é o volume que apresenta o maior número de batalhas, com mais ação. Mesmo assim, essas cenas de batalhas são menos descritivas e mais curtas que o restante. Tolkien preferiu dar destaque ao sofrimento e ao esforço dos hobbits Sam e Frodo, que seguem a Mordor, buscando destruir o Um Anel. Essa decisão não é ruim, porém, acredito, que a leitura ficaria mais emocionante com batalhas mais descritivas, mostrando como as lutas foram difíceis e sofridas. Para quem assistiu aos filmes, o final do livro surpreende, pois contém cenas que não aparecem na adaptação cinematográfica. Isso mostra como o autor era criativo e detalhista, merecendo o título de Mestre da Fantasia. Entre os três volumes, esse é o que possui o menor número de páginas sobre a história da “trilogia”. O que aumenta o número de páginas são os apêndices, que explicam diversas questões inexplicadas durante a narrativa. Ótimo final para a grande narrativa épica de Tolkien. Veja meu post sobre o livro AQUI. […]

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  2. narrativas com a de Tolkien são demasiadas em exigências tanto para o autor quanto para quem vai ler o(s) livro(s). a observação “Faltou algo” traz um interessante detalhe, penso, sobre quem escreve: às vezes, a escolha pela simplicidade, e olha que para alguém híper detalhista com Tolkien deve ser complicado, de algumas ações possam refletir o que por dentro da história, de forma muito sútil, pode não aparecer: o cotidiano comum dos dois hobbits, as batalhas chegando ao um ponto de cansaço, as eternas discussões sobre lutar até a morte, entre outras questões que podem ser capturadas aqui e ali, etc. divagações minhas, apenas. sei apenas que sobrevivi à Terra-média. e valeu a pena. um grane abraço, Alan e continue resenhando.

    Curtido por 1 pessoa

    1. Ele foi bastante detalhista em muitos pontos, mas em outros foi bem simplista. Talvez se esse detalhismo ocorresse na descrição das batalhas, o livro poderia ser mais épico ainda e mais emocionante. Os filmes conseguem mostrar as batalhas de maneira mais interessante (mas não possuem nem metade dos detalhes dos livros).
      O sentimento de ter sobrevivido à Terra-média é muito recompensador, né? Uma longa caminhada, assim como a das personagens.
      Obrigado pelo comentário e pelas seus apontamentos, contribuindo para o post.
      Grande abraço!

      Curtido por 1 pessoa

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