Minhas Leituras #49: O Senhor dos anéis: as duas torres – J. R. R. Tolkien

Título: O Senhor dos anéis: as duas torres
Autor: J. R. R. Tolkien
Editora: Martins Fontes – selo Martins
Ano: 2000
Páginas: 380
Tradução: Lenita Maria Rimoli Esteves e Almiro Pisetta
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“Os traiçoeiros estão sempre desconfiados” (TOLKIEN, J. R. R. O Senhor dos Anéis: as duas torres. Martins Fontes, 2000, p. 188)

Após a partida, passando por muitos lugares perigosos, e outros mágicos, a Comitiva do Anel teve que ser rompida e seus membros seguirem caminhos diferentes. Frodo e seu fiel companheiro Sam partiram em busca de seu objetivo final, os outros membros precisam auxiliar na eminente guerra contra o Senhor das Sombras.

Tolkien, sinônimo de fantasia

Como falar de fantasia sem citar o nome de Tolkien? Tarefa impossível essa! Além de escritor, o grande mestre John Ronald Reuel Tolkien foi um, poeta, filologista e professor universitário. Nascido em 1892, formou-se na prestigiada Universidade de Oxford, onde lecionou durante anos.

Reconhecido, principalmente, pelo livro ‘O Senhor dos Anéis’, o autor é uma fonte de inspiração para toda pessoa que gosta do gênero fantasia. Escreveu muitos outros livros, alguns que não fazem parte do universo de ‘O Senhor dos Anéis’ e ‘O hobbit’, mas muitos outros que complementam essa mitologia criada nessas duas obras, conhecida como Legendarium; publicações póstumas, editadas por seu filho Christopher.

Dividir ‘O Senhor dos Anéis’ em três partes não foi uma decisão sua, o livro foi escrito como uma obra completa, uma única história, um único volume. A editora de Tolkien achou melhor dividir a obra em três volumes, tanto por questões práticas (o tamanho do livro), quanto econômicas (e se o livro não fosse bem aceito?). Isso não agradou muito o autor, que também não gostou dos títulos que teve que criar para os três volumes. ‘As duas torres’ é um título ambíguo, pois existem diversas torres no universo criado por ele. Por isso, em uma nota presente nesse volume, Tolkien especificou que essas duas torres são Orthanc and Minas Morgul, que possuem grande importância para o enredo.

“E apesar disso os ents são mais como os homens, mais mutáveis que os elfos, e mais rápidos para assumir as cores do exterior, por assim dizer. Ou melhores que ambos: pois são mais firmes e mantêm as mentes nas coisas por mais tempo”. p. 65

Preparativos para o clímax

Esse é bem o meio da história. Uma grande tensão paira sobre a Terra-média, as forças de Sauron estão se reerguendo, preparando uma ofensiva. Os povos livres, com poucas esperanças, tentam reunir alguma energia para encarar esse mal que ressurge.

Aragorn, Gimli e Legolas são recebidos no reino de Rohan, reanimando os guerreiros dessa terra, que se encontram abatidos. Eles se preparam para uma batalha contra Saruman, residente em Orthanc, que se tornou um traidor para ambos os lados (do bem e do mal). Ao mesmo tempo, os três companheiros procuram os hobbits Pippin e Merry, que surpreendem muito nesse volume.

Frodo e Sam seguiram outro caminho, partindo para a terra de Sauron, Mordor, onde pretendem completar a missão que aceitaram. Terão uma ajuda inusitada e perigosa, de uma criatura que retorna lá do início, das aventuras de Bilbo em ‘O hobbit’.

“Pronunciei palavras de esperança. Mas apenas de esperança. Esperança não é vitória”. p. 98

Uma leve injeção de adrenalina

Se ‘A sociedade do Anel’ possui uma narrativa mais lenta, que se desenvolve devagar em meio ao detalhismo de Tolkien, não podemos falar o mesmo sobre ‘As duas torres’. Sim, o autor ainda está bastante detalhista — detalhes que enriquecem a história, dando sentido aos fatos —, entretanto o ritmo parece mais acelerado.

Uma das causas desse efeito é a ação que está muito mais presente, mais batalhas são narradas, as personagens enfrentam muito mais perigos do que no primeiro volume. Os acontecimentos ficam mais emocionantes, tudo começa a se desenrolar para o clímax, o que deixa a leitura mais empolgante.

Existe essa dose de adrenalina, porém há momentos onde a leitura se desenrola mais devagar, se arrastando um pouquinho. Se Tolkien não se prendesse a detalhes, isso não aconteceria. Ficamos com uma incógnita: sem os detalhes, o mundo criado pelo autor não seria tão rico, mas sem eles a narrativa seria mais fluida. ‘As duas torres’ consegue equilibrar bem isso, agradando ambos os lados. O livro fecha de maneira interessante, deixando uma dúvida o ar.

“Por ter imaginado a guerra, deflagrou a guerra, acreditando que não tinha mais tempo a perder; pois aquele que dá o primeiro golpe, se o golpe tiver força suficiente, pode não precisar dar mais golpes”. p. 94

Sobre a edição

Edição simples (existem outras mais elaboradas), capa comum com orelhas, brochura, páginas em papel Chambril Book 75g/m² (papel de boa espessura, porém de coloração branca, que reflete muita luz, o que dificulta leituras longas, cansando os olhos). Diagramação ruim, utilizando fonte pequena, pouco espaço entre linhas e margens estreitas, o que prejudica ainda mais a leitura. Esse volume não apresentou os problemas do primeiro, que foram expostos no post sobre ‘A sociedade do Anel’.

A tradução dos três volumes ficou por conta dos mesmos tradutores de ‘O hobbit’, Lenita Maria Rimoli Esteves e Almiro Pisetta, que contaram com a revisão técnica de Ronald Eduard Kyrmse, especialista em Tolkien, membro da Tolkien Society e um grande estudioso de línguas antigas. Um trabalho competente dos tradutores, que sofrem críticas de alguns fãs, principalmente pelos nomes traduzidos, de locais e de personagens. Nada que atrapalhe a leitura ou deturpe a grandeza da obra, já que se trata de um ótimo trabalho, por profissionais competentes.

“Estranhos são os caminhos da sorte! Com grande frequência o ódio fere a si mesmo!” p. 191

Conclusão

Diferente do primeiro volume, ‘As duas torres’ apresenta uma narrativa mais urgente, com mais ação, o que acaba empolgando a leitura. Apesar disso, o lado detalhista de Tolkien ainda está presente, enriquecendo a obra, ao mesmo tempo em que deixa a narrativa mais arrastada, em alguns momentos. O livro prepara o terreno para os momentos finais da ‘Saga do Anel’. A Comitiva está dividida, seguindo caminhos diferentes, com missões importantes a serem cumpridas. Ao final do segundo volume, o leitor ficará com grande vontade de saber o que vai acontecer com nossos heróis, sobre qual será o destino da Terra-média. Está chegando a hora da batalha contra o Senhor da Escuridão.

“O senhor falou bonito o tempo todo. Mas beleza que vale é beleza que faz, como se diz”. p. 296

Minha nota (de 0 a 5): 4,5

Alan Martins

Livro Duas Torres Tolkien Fantasia Anéis
Uma bela ilustração de Ilustração de Geoff Taylor estampando a capa do livro. Uma imagem que diz muita coisa.

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Minhas Leituras #49: O Senhor dos anéis: as duas torres – J. R. R. Tolkien

15 comentários sobre “Minhas Leituras #49: O Senhor dos anéis: as duas torres – J. R. R. Tolkien

  1. Resenha incrível, Alan. Ainda não tive contato com a Literatura de Tolkien, mas tenho muito interesse em lê-lo. Toda essa relação do anel com a Terra Média é considerado uma alegoria ao nosso mundo e também têm traços cristãos. Não sei se vc já postou algo sobre como vc organiza as suas leituras, e como vc consegue manter o fluxo de leituras tão ativo. Por vezes eu demoro para terminar de ler os livros e gostaria de saber mais sobre seus hábitos de leitor. Abraços 😄

    Curtido por 1 pessoa

    1. Muito obrigado, fico feliz que tenha gostado da resenha! 😀
      Bem, eu acho que não tem segredo nenhum o fluxo de leitura. Eu sempre leio quando tenho algum tempo livre em casa. Horário de almoço, às vezes antes de ir trabalhar, antes de dormir, quando aguento. Aos finais de semana é quando tenho mais tempo para ler. Acredito que quanto mais você lê, mais fácil fica depois, você consegue ler mais rápido e com mais concentração. É bom não fazer outras coisas ao mesmo tempo em que você lê, já que isso pode atrapalhar bastante. O mais importante é ir lendo e pegando o hábito, depois vira costume.
      Grande abraço, um ótimo 2018 para você!

      Curtido por 1 pessoa

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