Minhas Leituras #48: O Senhor dos anéis: a sociedade do anel – J. R. R. Tolkien

Título: O Senhor dos anéis: a sociedade do anel
Autor: J. R. R. Tolkien
Editora: Martins Fontes – selo Martins
Ano: 2000
Páginas: 450
Tradução: Lenita Maria Rimoli Esteves e Almiro Pisetta
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“Realmente, o mundo está cheio de perigos, mas ainda há muita coisa bonita, e, embora atualmente o amor e a tristeza estejam misturados em todas as terras, talvez o primeiro ainda cresça com mais força” (TOLKIEN, J. R. R. O Senhor dos anéis: a sociedade do anel. Martins Fontes, 2000, p. 370)

A primeira parte da obra-prima de Tolkien, uma história riquíssima em detalhes, que inspira criatividade, talvez o maior marco da literatura de fantasia de todos os tempos. Eis onde Frodo inicia sua jornada através da Terra-média.

Tolkien, o Mestre

Além de escritor, John Ronald Reuel Tolkien foi um, poeta, filologista e professor universitário. Nascido em 1892, formou-se na prestigiada Universidade de Oxford, onde lecionou durante anos. Ajudou o exército de seu país nas duas Grandes Guerras, na primeira combatendo em campo e na segunda cooperando com os serviços de inteligência. Essa experiência de guerra o ajudou muito nas descrições das batalhas presentes em seus livros.

Grande parte de sua obra gira em torno de uma mitologia que ele mesmo criou, chamada de Legendarium. Nem toda sua obra foi publicada em vida, os livros que explicam o universo da Terra-média e sua história foram publicações póstumas, editadas pelo seu filho Christopher.

‘O Senhor dos anéis’ é sua obra mais famosa e levou anos para ser completada. Foi escrita como um livro único, não como uma trilogia. Essa divisão em três partes for ideia da editora que publicava os livros de Tolkien. Naquele tempo, imprimir livros não era tão fácil e barato como é hoje, além de que a obra possui mais de mil páginas, e segurar um livro desse tamanho não é muito confortável. Temos também a questão econômica: ao se dividir o livro em três partes, seria possível ter uma ideia de sua aceitação logo na primeira parte; se o livro vendesse bem, então as duas outras partes poderiam ser impressas. Foram decisões que não agradaram o autor, ele não gostou dos títulos que foi “obrigado” a escolher para os livros também.

Não há como falar sobre fantasia na literatura sem citar Tolkien. Sua importância para esse gênero é tão grande que se espalha para outras áreas além da literatura. O que seria da fantasia sem Tolkien? Isso não é algo passível de afirmação, mas certamente seria um gênero de menor riqueza de detalhes e de menor expressão.

“— Um mortal, Frodo, que possui um dos Grandes Anéis não morre, mas também não se desenvolve ou obtém mais vida; simplesmente continua até que no final cada minuto é puro cansaço”. p. 48

A história de outro hobbit

Os eventos de ‘O Senhor dos anéis’ ocorrem após o desfecho de ‘O hobbit’, livro que já apresentei aqui no blog. Anos após a aventura de Bilbo, o mago Gandalf descobre a origem do anel que o hobbit havia encontrado. Trata-se de um anel criado pelo Senhor do Escuro, cheio de poderes malignos.

Porém, o velho Bilbo já não possui condições para encarar uma nova e perigosa jornada e passou esse fardo para Frodo, hobbit que ele adotou e criou como se fosse um sobrinho. Eis que a saga do anel tem início e o jovem Frodo parte, seguindo os conselhos de Gandalf.

Ele não irá sozinho, outros três hobbits serão seus companheiros: Samwise, Merry e Pippin. Ao longo da história outras pessoas passam a fazer parte do grupo; quando a Sociedade do Anel é formada, já são nove no total. Juntam-se aos hobbits: o guardião Aragorn, o mago Gandalf, o guerreiro Boromir, o elfo Legolas e o anão Gimli.

Ao longo do livro a comitiva descobrirá mais segredos sobre o Anel, além de enfrentar diversos perigos no extenso caminho que deve percorrer. Muito da história do universo onde as personagens estão inseridas também será revelado, com detalhes e povos, que eram desconhecidos, sendo apresentados.

Como Tolkien não escreveu seu livro pensando em uma trilogia, ao final dessa primeira parte não encontramos um desfecho, como existe nas trilogias que são assim planejadas desde o início. Quando o segundo volume é iniciado, ele começa de onde o primeiro parou, dando continuidade direta ao último capítulo do primeiro volume.

“— Os elfos raramente dão conselhos imprudentes, pois o conselho é uma dádiva perigosa, mesmo dos sábios para os sábios, e tudo pode dar errado”. p. 86

Um início lento

Devido à característica detalhista do autor com o mundo que ele criou — detalhes que considero bons, pois enriquecem a história, não são detalhes do ambiente (que são enfadonhos), mas sim detalhes que justificam o enredo, complementando-o —, a narrativa começa um pouco devagar. Até que a Sociedade do Anel seja formada, mais da metade do livro terá ficado para trás. Se compararmos com os filmes de Peter Jackson, vemos como o diretor deixou a história mais curta e rápida. Meses se passam até que Frodo deixe o Condado e chegue a Rivendell, o que não ocorre na adaptação cinematográfica.

Entretanto, esse longo período é preenchido por muita coisa interessante. Os servidores de Sauron logo perseguem os hobbits, que passam por um grande sufoco assim que deixam sua terra natal. Muitas figuras interessantes serão encontradas por eles, como Tom Bombadil, um sujeito misterioso que não aparece nos filmes. Na verdade, quem apenas assistiu aos filmes, conhece apenas a ponta do iceberg que é o universo criado por Tolkien.

Temos algumas cenas de ação também, porém essas ocorrem mais ao final, onde nossos heróis lutarão contra orcs e outras criaturas que servem à Escuridão. Um enredo que mistura aventura, suspense, ação e drama, tudo na medida certa, além de ser um universo mágico, criativo e muito fantasioso. O primeiro volume da “trilogia” é dividido em dois livros, que são separados em diversos capítulos. É interessante como o título de cada capítulo resume bem o que irá acontecer.

Se ‘O hobbit’ possuía uma atmosfera mais infantil, já que fora escrito para crianças, ‘O Senhor dos anéis’ traz uma trama mais adulta, séria e sombria.

“Muitos que vivem merecem a morte. E alguns que morrem merecem viver. Você pode dar-lhes vida? Então não seja tão ávido para julgar e condenar alguém à morte”. p. 61

Sobre a edição

Existem diversas versões de ‘O Senhor dos anéis’ disponíveis no mercado: há edições em volume único, há as versões em três volumes. Dentre as edições em três volumes, há aquelas que utilizam as ilustrações feitas pelo próprio Tolkien como capa, que são uma “imitação” de capa dura, produzidas com um material de maior qualidade, se comparadas com as edições mais comuns, a que foi apresentada nesse post. Em termos de conteúdo, nada muda entre as versões, o que as diferencia é o material utilizado na produção.

Essa edição mais comum, dos livros separados em três volumes, é bem simples, até demais para a grandeza da obra. Brochura, capa comum com orelhas, páginas em papel Chambril Book 75g/m², um papel de boa espessura, porém de cor branca, que reflete muita luz, o que dificulta leituras longas, cansando os olhos. Além disso, a diagramação não é das melhores: fonte pequena, pouco espaçamento entre linhas e margens estreitas. É preciso abrir muito o livro para poder ler o que está ao final de uma linha. Minha edição veio com alguns problemas: havia páginas faltando, devido a um erro de impressão, imprimiram páginas no lugar errado, e a lombada estava mal colada, soltando-se. Pecado da editora, mas que a Amazon (onde comprei o livro) resolveu, efetuando uma troca.

Lenita Maria Rimoli Esteves e Almiro Pisetta, os mesmos tradutores de ‘O hobbit’, foram os responsáveis por traduzir a “trilogia”. Lenita ficou com a parte em prosa, a maior parte, e Almiro traduziu os poemas contidos na história. Uma boa tradução, feita por profissionais competentes e renomados, mas que alguns fãs criticam. Não vi nenhum problema com a tradução, que teve uma revisão técnica de Ronald Eduard Kyrmse, membro da Tolkien Society, além de um grande estudioso de línguas antigas e do próprio Tolkien. Essa edição conta com o mapa da Terra-média, que ajuda o leitor a se localizar na vastidão desse mundo tão detalhado.

“[…] o desespero é para aqueles que enxergam o fim como fato consumado. Não, não. É sábio reconhecer a necessidade, quando todas as outras soluções já foram ponderadas, embora possa parecer tolice para aqueles que têm falsas esperanças”. p. 285

Conclusão

Para quem não leu ‘O hobbit’, nesse livro há um breve resumo sobre o que aconteceu com Bilbo e seus companheiros anões, o que dá um ponto de partida a ‘O Senhor dos anéis’, já que o segundo é uma continuidade dos eventos do primeiro. Todavia, é muito interessante ler a história de Bilbo antes, para que detalhes valiosos não sejam perdidos. Apesar de lenta, a primeira parte da ‘Saga do anel’ se desenvolve de forma agradável, imergindo o leitor no universo da Terra-média. O nível de detalhe é elevado, porém são detalhes positivos, que enriquecem a história, aumentando a curiosidade pelos acontecimentos narrados e a admiração pela criatividade de Tolkien. A edição poderia ser melhor, possuindo alguns pecados que podem atrapalhar a leitura. Essa obra é um dos maiores feitos da história literatura fantástica, capaz de agradar a todos, adultos e crianças, velhos e jovens. Quem ainda não embarcou nessa aventura, não sabe o que está perdendo!

“As aventuras nunca acabam? Acho que não. Outra pessoa sempre tem de continuar a história”. p. 245

Minha nota (de 0 a 5): 4,5

Alan Martins

Imagem livro O Senhor dos anéis A sociedade do anel Tolkien Geoff Taylor Martins Fontes
Edição simples, com uma bela ilustração do artista inglês Geoff Taylor estampando a capa.

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Minhas Leituras #48: O Senhor dos anéis: a sociedade do anel – J. R. R. Tolkien

24 comentários sobre “Minhas Leituras #48: O Senhor dos anéis: a sociedade do anel – J. R. R. Tolkien

  1. […] 2° O Senhor dos Anéis: a sociedade do anel – J. R. R. Tolkien (Martins Fontes – selo Martins, … A primeira parte da ‘Saga do Anel’ começa devagar. O ritmo da narrativa é lento, as coisas empolgam mais do meio para frente, quando a Comitiva parte para a missão para qual foi designada. História que dá continuidade a ‘O hobbit’, onde o mistério do Anel é revelado. As forças da Escuridão estão aumentando e a Terra-média corre um grande perigo. Obra rica em detalhes e em história. Tolkien criou uma nova mitologia, aclamada até hoje. O autor ditou os padrões da fantasia moderna. É difícil tentar imaginar como seria a literatura de fantasia sem Tolkien, certamente não seria tão apreciada como é hoje. Recomendado para todo fã de fantasia. Descubra mais sobre o livro, AQUI. […]

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  2. Eduardo de Souza disse:

    Com certeza o livro mais rico em detalhes que já li na vida hahaha (nunca fui muito de ler livros). Muito legal seu texto! Interessante você ressaltar ali sobre a lentidão do inicio do livro, que comparado ao filme, é bastante diferente. Foi logo que os hobbits partiram em sua jornada, que o excesso de detalhes com ambientes e a progressão lenta dos acontecimentos sem nenhuma emoção quase me fizeram abandonar essa leitura quando era criança rs

    Curtido por 1 pessoa

    1. Só a versão estendida dos filmes chega perto desse detalhismo. Os hobbits encontram Elrond da metade do livro pra frente! O editor ainda foi muito bom com o Tolkien, por não pegar no pé pra cortar coisas do livro, igual fizeram com ‘A dança da morte’, do Stephen King.
      Obrigado pela visita!
      Abraço.

      Curtir

      1. Rsrsrs… Merecer merecem…
        Só sei que até num papel de bula de remédio a trilogia cai bem.
        Quanto ao “bem caras”, teríamos que discutir preço, valor, lucro e usura. O que me leva a pensar q se fosse hoje, talvez, Tolkien usasse uma plataforma livre, nem q fosse só pra contrariar.

        Curtido por 1 pessoa

  3. Acredito que o grande golpe de sorte tenha sido esse – não pensar o livro separadamente – o que permitiu captar, de fato, a essência do universo de Tolkien sem o parasitismo predatório do marketing.
    Mesmo ocorrendo a divisão dos volumes, todo o contexto foi preservado e paginado conforme ele pensara.
    Alan, vc contactou a editora para falar sobre a questão das páginas faltosas? Eles podem trocar a sua edição por uma completa.
    Ouvidoria!
    Liga logo, rsrsrsrs…
    Beijoca

    Curtido por 1 pessoa

    1. Não acredito que, originalmente, a editora quis lucrar mais dividindo a obra em três. Acho que tiveram medo de investir, produzir um livro tão longo e depois não vender, já que Tolkien é o alicerce da fantasia moderna, não havia algo parecido até então. Depois eles publicaram a obra em apenas um volume, quando viram que foi bem aceita. Hoje em dia seria puro marketing mesmo.
      Eu entrei em contato com a Amazon, onde comprei o livro. Estava fora do prazo para trocas, mas mesmo assim eles foram atenciosos e me deram um vale comprar no valor que eu havia pago pelo livro. Deu para comprar um novo e não precisei devolver o usado! Eles foram bem legais nessa!
      Grande abraço! Obrigado por comentar! 😀

      Curtido por 1 pessoa

  4. o único problema, mas vá lá faz parte de todo o “contexto”, é o detalhismo exagerado do autor, mas cabe como disse antes e até ajuda a criar em nosso imaginário o sombrio mundo de então. (curioso, não muito diferente do atual). um belo livro. grande abraço e felicidades neste fim de ano e em especial para o que chega.

    Curtido por 1 pessoa

    1. Detalhismo nem sempre é bom, mas o de Tolkien tem o ponto positivo de criar essa imersão em sua obra. Pode cansar um pouco, mas não é de todo ruim, é até muito interessante.
      Obrigado pela visita e pelas palavras. Um ótimo final de ano para você também, que sejam momentos muito felizes e de paz.
      Forte abraço.

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