Minhas Leituras #38: A hora do lobisomem – Stephen King

Título: A hora do lobisomem
Autor: Stephen King
Editora: Suma de Letras
Ano: 2017
Páginas: 152
Tradução: Regiane Winarski
Veja o livro no site da editora: https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=28000431

“Cuidado com a Besta, pois ela pode sorrir e dizer que é sua vizinha, mas, ah irmãos, os dentes são afiados, e é possível perceber a inquietação no movimento dos olhos dela. Ela é a Besta e está aqui, agora, em Tarker’s Mills” (KING, Stephen. A hora do lobisomem. Suma de Letras, 2017, p. 48)

Ao longo de sua carreira, Stephen King já escreveu sobre quase todo tipo de monstro. Como o título indica, no presente livro ele vai nos contar uma história de lobisomem, uma criatura muito explorada na literatura e, principalmente, no cinema. A hora dele é aqui, e é agora! Preparado para enfrentar essa Besta devoradora de carne humana?

Os autores

Digo autores, pois é um livro que possui ilustrações, feita pelo grande artista Bernie Wrightson, além do Mestre como autor do texto.

Falar sobre Stephen King é chover no molhado, pois sua fama fala por si. Autor de mais de 50 best-sellers, com diversas adaptações para o cinema, é um dos maiores nomes da literatura mundial, devido seu grande sucesso de vendas. Sua adaptação mais recente para as telonas, ‘It: a coisa’, está lhe rendendo novos fãs. Considerado o “Mestre do terror”, deu uma nova luz a esse gênero, levando-o às massas. Muito difícil encontrar alguém que nunca tenha ouvido sobre alguma de suas obras, mesmo as adaptações cinematográficas.

Estamos falando de dois grandes nomes aqui. Bernie Wrightson é muito conhecido pelas suas ilustrações nos quadrinhos, sendo os de terror os mais marcantes; e é aí que os dois artistas convergem. Também contribuiu com suas ideias em filmes e séries. Bernie Wrightson possuía um talento único para criar cenas apavorantes. Infelizmente, faleceu em março desse ano, deixando um grande legado para os apreciadores do bom horror.

“A Besta está curvada, mas anda nas patas de trás. Como um homem andaria. A luz vermelha do chuvisco se reflete infernalmente nos olhos verdes”. p. 71

Criatividade

Podemos usar o adjetivo “criativo” para descrever a obra, pois é organizada e elaborada fora dos padrões que geralmente estamos acostumados a ver. Trata-se de uma novela, dividida em diversos capítulos curtos, onde cada um conta uma história diferente.

Faz-se importante uma explicação. O título original é ‘The cycle of the werewolf’, ‘O ciclo do lobisomem’ em uma tradução literal (e até mais condizente com a obra). A escolha do título aqui no Brasil, com certeza, se deve ao fato de, nos anos 1980, utilizarem ‘A hora’ para quase toda obra de terror que era lançada, seja filme ou livro.

Em inglês, o título condiz com o que ocorre na história, pois é narrado o ciclo do lobisomem, ao longo do ano. Cada capítulo representa um mês e narra um novo ataque do lobisomem, em noites de Lua cheia, na pequena cidade do Maine, Tarker’s Mill.

Logo de cara já vemos como o lobisomem ataca de maneira cruel e violenta, King faz uso de uma linguagem mais explícita sobre esses ataques. Isso perdura durante todo o livro, deixando a leitura sempre empolgante, nunca perdendo o ritmo. O mistério sobre a identidade da Besta logo fica evidente, e aí entra um clima de tensão até o desfecho da narrativa.

Quem gosta do cinema dos anos 1980, vai se identificar com o livro. O clima é bem trash, igual aos filmes de terror mais conhecidos dessa época, carregando alguns estereótipos desses filmes também. O livro recebeu uma adaptação trash para os cinemas, o filme homônimo, de onde tiraram o título para a edição brasileira.

Por ser curto, a ação do livro é bem condensada, fazendo o leitor querer continuar a leitura. Se você não tem medo de lobisomem, a partir de agora terá!

“Do lado de fora, o vento piora até se transformar em um grito agudo. Westrum levanta a cabeça, inquieto, e olha para o jogo novamente. É só o vento, afinal…
Mas o vento não arranha portas… nem chora, pedindo para entrar”. p. 15

Quase uma história em quadrinhos

Essa é a sensação que a leitura transmite. Se tratando de King, temos uma raridade, levando em consideração o número de páginas, pois é um autor conhecido por escrever verdadeiros tijolos.

As ilustrações também contribuem para essa sensação, pois representam cenas do enredo, com todo aquele estilo encontrado nos quadrinhos. A cada novo capítulo, há uma nova ilustração. Algumas dessas apresentam a violência do lobisomem, cenas com um pouco de sangue, já outras, são bem mais explícitas (tipo uma decapitaçãozinha aqui e ali).

O tamanho do livro não permite um grande desenvolvimento de personagens, porém vamos ser cativados por alguns, os que possuem maior desenvolvimento e importância para a história. É uma narrativa que vai direto ao ponto, sem rodeios. Assim, temos muitas características de uma história em quadrinhos, porém em um livro convencional, bem, nem tão convencional assim.

“A Besta é enorme, com mais de dois metros de altura, apesar de estar encolhida de uma forma que as patas da frente quase arrastam no tapete”. p. 123

Sobre a edição

A presente edição faz parte da coleção de livros de Stephen King que a Suma de Letras (agora Editora Suma) vem publicando, chamada de “Biblioteca Stephen King”. São as obras consideradas “raras” aqui no Brasil, produzidas com muito capricho, sempre com algum material extra.

Temos um livro em capa dura, com uma bela ilustração em alto-relevo (parece que os pelos do lobisomem são de verdade) e acabamento em Soft Touch (sensação de capa emborrachada). O miolo é em papel Pólen Bold, um tipo de papel mais espesso, com uma excelente diagramação e projeto gráfico. As ilustrações principais são coloridas, com algumas em preto e branco ao final de cada capítulo. Como extra, a editora trouxe algumas ilustrações de artistas brasileiros. Bela edição para colecionadores, produzida com muita qualidade e dedicação.

Regiane Winarski ficou com a tradução. Ela já possui experiência em traduzir Stephen King, sendo esta a sexta obra do autor que traduz (‘Belas adormecidas’, trabalho de King em parceria com o filho Owen, será a sétima). É uma boa tradução, sem uso de termos estranhos, linguagem simples, boas adaptações. Seu conhecimento sobre o autor contribui para a qualidade final de seu trabalho.

“— Meu amor — sussurra ela, e fecha os olhos.
O lobo cai sobre ela.
O amor é como morrer”. p. 26

Concluindo

Uma leitura rápida, cheia de tensão e adrenalina. Mesmo que muitas personagens não sejam tão bem desenvolvidas, as principais darão conta do recado, nos cativando e nos surpreendendo. Livro que esbanja criatividade, tanto pela escrita, pelas ilustrações e pela forma que é organizado. Edição caprichada, um presente para os fãs do autor que procuram as obras “raras” do Mestre. Belo projeto gráfico, um produto final de grande qualidade. Quem curte histórias de terror e de quadrinhos vão gostar muito de possuir esse livro em sua coleção.

Minha nota (de 0 a 5): 4,5

Alan Martins

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Imagem do meio: “Vem me dar um cheiro no cangote, cachorrão!”. 😂

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Minhas Leituras #38: A hora do lobisomem – Stephen King

7 comentários sobre “Minhas Leituras #38: A hora do lobisomem – Stephen King

  1. […] 1° A hora do lobisomem – Stephen King (Suma de Letras, 2017): Normalmente, eu não colocaria um livro do King em primeiro lugar, mesmo sendo um grande fã de seu trabalho. Mas, é que os livros desse mês não me dão muita opção, e também porque eu gostei bastante dessa leitura. Fugindo dos padrões exagerados do autor, temos aqui um livro bem fino. Não podemos considerá-lo um romance, novela se encaixaria melhor. Como o título indica, essa é uma história de lobisomem. A produção da obra é toda temática, com capítulos bem curtos, representando os meses de um ano e cada um apresenta um novo ataque dessa fera terrível. O enredo cativa, sabemos que haverá uma nova vítima, mas não sabemos quem e nem como irá acontecer. O mistério sobre a identidade do monstro logo é revelado, mas não estraga o desenrolar da trama, que surpreende e traz algumas personagens carismáticas, mesmo com pouco espaço para desenvolvimento. Bernie Wrightson, famoso quadrinista, criou ilustrações para esse livro. Há sempre uma nova ilustração a cada capítulo, isso dá ao livro uma característica de história em quadrinho, deixando a leitura mais dinâmica e divertida. O conjunto da obra é muito bom, em uma edição com capa dura e material de qualidade. Para quem gosta de histórias de terror, eis uma boa opção. Confira o post sobre este livro AQUI. […]

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    1. Acho que seria uma boa começar por esse, então, pois é um livro bem curtinho, que pode ser lido em um único dia. Vai dar para ter um gostinho da escrita do autor, que, junta das ilustrações, cria um clima muito sombrio e intrigante. Talvez vai despertar vontade de conhecer outros livros depois.
      Obrigado pelo comentário, fico feliz que tenha curtido!
      Abraço! 🙂

      Curtido por 1 pessoa

  2. O mais interessante em relação a mim e Mr. King é eu nunca me sentir atraído por sua literatura. A razão? Acho que a própria razão desconhece. Depois da tua resenha vou me lançar mais adiante nesse universo literário. Obrigado, Alan, e um abraço.

    Curtido por 1 pessoa

    1. Eu entendo. Às vezes, a escrita do autor é muito americana, cinematográfica, clichê. Sempre com características semelhantes.
      Mas olha, esse livro me surpreendeu, pois é bem diferente dos livros comuns. Bem rápido de ler, caso não curtir, não terá perdido muito tempo em um livro ruim. As ilustrações e a história trabalham em conjunto, pois ambas fazem o livro ser bom. Tente ler esse, acredito que possa gostar!
      Obrigado pela visita.
      Abraço e bom domingo.

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