O que é a Epidemiologia?

A epidemiologia é a ciência que estuda as epidemias. As primeiras observações epidemiológicas foram feitas pelo médico John Snow que investigou óbitos causados por cólera. Ele analisou as residências que tiveram e que não tiveram casos de óbito. O médico percebeu que as residências que haviam tido casos de morte pela doença tinham água fornecida por uma determinada empresa, diferente das outras casas que onde não foi detetada a doença. Concluiu-se, então, que o causador da epidemia de cólera era a água fornecida por aquela empresa.

Essa ciência estuda quantitativamente os fatores de saúde-doença de um grupo, bem como os elementos ambientais, genéticos e exposição a elementos tóxicos que podem levar ao contágio e/ou à morte, para que assim seja possível elaborar estratégias para a prevenção, controle e eliminação dos fatores que levam à enfermidades.

Questões em Saúde Pública

O movimento sanitário do SUS (Sistema Único de Saúde) aplica essa medida, instalando em cada comunidade, que são estabelecidas por um perímetro de atuação, uma Unidade Básica de Saúde e agentes comunitários.

Além do trabalho clínico individual que ocorre na unidade, os agentes fazem o acompanhamento comunitário dos fatores saúde-doença, com a investigação de possíveis doenças instaladas em um determinado grupo e as condições ambientais e sociais que estão favorecendo uma possível contaminação dessas doenças; levando um trabalho de conscientização, prevenção e orientando quanto ao tratamento adequado.

Podemos dizer que a epidemiologia é uma importante ferramenta de atuação, pois promove a prevenção de condições que afetam a saúde do indivíduo, levando à promoção do bem-estar, de colaboração para um ambiente favorável à saúde e também à identificação dos fatores que ameaçam ou/e que se tornar uma ameaça a longo prazo.

Dessa forma, a metodologia científica da epidemiologia é o estudo exato, análise correta, esclarecimento racional, formação de hipótese, comprovação de hipótese e conclusão.

Epidemiologia psiquiátrica

Além das contribuições no campo da abordagem psicossocial, ganha importância, também, a epidemiologia psiquiátrica. Os estudos realizados contemplam objetos entre os quais se destacam:

a) estudos de prevalência de transtornos em população de serviços psiquiátricos, entre os quais em registros de hospitais e em serviço de saúde geral;

b) inquéritos transversais de transtornos em geral, como consumo de drogas licitas e ilícitas, e medicamentos;

c) estudos de grupos de indivíduos portadores de transtornos com variações sociais, econômicas e ambientais.

Dos primeiros nomes desse campo, no Brasil, se destacam Naomar de Almeida Filho, Vilma Santana e Jair Mari.

Faz-se importante lembrar do desenvolvimento crítico aos paradigmas mais convencionais dessa disciplina, ao chamado modelo de risco. No ponto de vista das abordagens psicossociais, os conhecimentos das epidemiologias constituem fontes indispensáveis de consulta, debate e referência.

História da demografia

O desenvolvimento do capitalismo e a grande concentração de contingentes humanos nas cidades, no século XVIII e XIX, são os fatores que marcaram a preocupação com questões populacionais no Ocidente. A demografia moderna pode ser caracterizada como: o “estudo das populações humanas e sua evolução temporal no tocante a seu tamanho, sua distribuição espacial, sua composição e suas características gerais”. Esses dados são indicados pelas seguintes variáveis: “distribuição por sexo, idade, estado conjugal, distribuição segundo região geográfica de residência atual, anterior e de nascimento, fecundidade e mortalidade”.

No passado, os estudos em demografia histórica eram pautados em registros precários que haviam na época, como no de nascimento, morbidade e o de migração. Com a ascensão de governos republicanos, os registros públicos e censos populacionais passaram a ser promovidos pelos governos laicos, constituindo em dados mais confiáveis e na principal fonte dos mesmos.

Criação de instituições específicas

Com o surgimento do governo democrático os registros populacionais ganharam status de fidedignidade, já que eram realizados por meio de registros públicos e censos populacionais, ou seja, fontes mais seguras que eram complementadas por estudos amostrais.

No Brasil, entre 1934 e 1938, no Governo de Getúlio Vargas, foi criado o IBGE- Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística que hoje tem como objetivo fornecer à população e ao Governo dados atualizados da realidade do brasileiro, na perspectiva de que este último os utilize para planejamento de médio e de longo prazo, com o intuito de garantir melhor qualidade de vida, renda, habitação entre outros fatores para a população.

Em 1955, o movimento sindical desenvolveu o Dieese — Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos —, que atualmente pesquisa questões ligadas às situações de vida, economia e trabalho nas principais capitais do país. Durante o Governo Militar surgiu o Ipea – Instituto de Pesquisa Aplicada, vinculado ao Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão —, que fornece suporte técnico e institucional ao Governo para a formulação e reformulação de políticas públicas e programas de desenvolvimento brasileiro. Com o desenvolvimento de diversos estudos demográficos no Brasil, a demografia conquistou espaço acadêmico, o que levou à criação de um órgão civil, privado, nacional, sem fins lucrativos, com autonomia financeira e de interesse coletivo para a divulgação, interlocução e fortalecimento dessa área de conhecimento, ampliando o seu intercambio técnico-cientifico. Este órgão é a Abep — Associação Brasileira de Estudos Populacionais.

Atualmente estes institutos e agências de pesquisa produzem não apenas dados e análises quantitativas, mas também qualitativas dos processos populacionais mais complexos e multidimensionais e que são essenciais para as questões psicossociais.

Referência Bibliográfica

VASCONCELOS, E. M. Outras correntes teóricas fundamentais para o campo das abordagens psicossociais. In: VASCONCELOS, Eduardo Mourao. Abordagens Psicossociais – Vol. I: História, Teoria e Trabalho no Campo. São Paulo: Hucitec, 2008. p. 93-130.

Alan Martins

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Mapa original de John Snow mostrando os casos de morte por cólera, em Londres, 1854. Imagem em Domínio Público. Disponível em: https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=403247.

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