MINHAS LEITURAS #30: MANIFESTO DO PARTIDO COMUNISTA – MARX E ENGELS

Título: Manifesto do Partido Comunista
Autor: Karl Marx e Friedrich Engels
Editora: Penguin-Companhia das Letras
Ano: 2012
Páginas: 112
Tradução: Sergio Tellaroli
Veja o livro no site da editora: https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=85058

“Que as classes dominantes tremam ante a revolução comunista. Os proletários nada mais têm perder com ela do que seus grilhões. Têm, sim, um mundo a ganhar. Proletários de todos os países, unam-se!” (MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. Manifesto do Partido Comunista. Penguin-Companhia das Letras, 2012, p. 83)

O século XIX foi um período de grande importância para o mundo. A partir desse período muita coisa mudou e as bases de nossa sociedade atual foram criadas. Houve muitos movimentos políticos, onde trabalhadores buscavam ter voz perante as decisões de seus países e por reformas nas condições de trabalho e salário. Uma das obras literárias de maior impacto nessa época foi o ‘Manifesto do Partido Comunista’. As ideias contidas nesse pequeno livro mudaram o rumo da história e a forma de se enxergar o mundo e as relações humanas. Amados por muitos, odiado por outros, possui conceitos que ainda são atuais, porém outros nem tanto.

Origens do Marxismo

Os dois amigos alemães possuíam o desejo de ver uma sociedade comunista. O conceito de Comunismo já existia em seu tempo, porém era uma ideia pouco definida. Movimentos de trabalhadores e partidos políticos fundados pelo proletariado também já existiam, mas eram um tanto quanto desorganizados, com diferentes interesses, causas e ideais.

Diante de tanta incerteza e da grande expansão do capitalismo, o ‘Manifesto’ escrito por Marx e Engels tentou unir todos os trabalhadores em uma só causa, foi uma forma de universalizar a luta do proletariado contra a burguesia da época.

Somente com as obras desses dois é que o comunismo foi tomando ares mais científicos, passando a ser estudado com mais empenho. Tanto que, hoje, os cursos de ciências humanas possuem uma forte base marxista em seus currículos. Diversas teorias são baseadas nas ideais contidas em ‘O capital’ e no ‘Manifesto do Partido Comunista’.

“Assim, a história do Manifesto reflete em grande medida a história do próprio movimento operário moderno; hoje em dia, ele é sem dúvida a obra mais disseminada e mais internacional de toda a literatura socialista […]” p. 20

Teoria que divide opiniões

A temática central desse livro é a política. Até por isso, a obra engloba diversos outros assuntos, como economia, trabalho, relações humanas, dignidade, moral, etc. Muitos países tentaram implantar regimes comunistas e nenhum foi tão longe, sempre falharam em algum ponto.

Para a sociedade utópica sonhada por Marx poder existir, o mundo deveria ser muito homogêneo, não deveria haver muita individualidade. O pensamento deveria ser coletivo, com a abolição de bens materiais. As relações de mercado são globais, isso dificulta qualquer empreitada de um governo desejar ser comunista.

Vimos também que todos esses países tiveram governos autoritários, corruptos, que restringiram a liberdade de seu povo. Essa é uma forte crítica dos opositores do marxismo. A questão econômica também é muito criticada. Muitos economistas já refutaram a mais-valia, entretanto os marxistas ainda defendem essa ideia. Outra ideia que causa divergência é a de luta de classes, que sempre existiu na sociedade moderna, segundo Marx e Engels. Ou a ideia de comunhão de mulheres.

Até hoje vemos debates contra e a favor. Numa rápida visita ao YouTube podemos encontrar vídeos que trazem ideais diferentes. No Facebook há diversas páginas, tanto de esquerda, quanto de direita. São assuntos de muitos anos atrás, mas parece que nunca estiveram tão em alta quanto agora.

“A revolução comunista constitui o rompimento mais radical das relações tradicionais de propriedade; não admira, pois, que no curso de seu desenvolvimento, a ruptura com as ideias tradicionais seja também a mais radical”. p. 67

Ler sem preconceito pode ser positivo

Sou estudante de Psicologia, consequentemente vejo muito sobre marxismo na faculdade. Nossas políticas públicas são fortemente baseadas nessa teoria. Confesso que discordo da maior parte das ideias marxistas, principalmente da econômica. Conheço autores com pensamentos diferentes que me agradam mais.

Mesmo discordando, isso não se faz motivo para não conhecer essa obra. Poderia dizer que é sempre melhor conhecer seu inimigo. Sempre é interessante conhecer a ideia oposta à sua. Isso só gera mais conhecimento e melhores argumentos.

Seria muito difícil criar uma teoria que seja perfeita, que agrade a todos e que resolva todos os problemas da humanidade. Muitos tentam chegar o mais próximo do perfeito, e há muita divergência nisso. Estudar todos os lados é sempre o melhor caminho, conhecer os pontos positivos e negativos de cada ideia.

“E a unificação que, na Idade Média, com seus caminhos vicinais, demandou séculos para ser construída, os proletários modernos, com suas estradas de ferro, a produzem em poucos anos”. p. 54

Parece que o século XIX é agora

Mesmo discordando de muita coisa, ainda há muito para se admirar em Marx. As relações de trabalho ainda é um ponto chave da política. As reformas que estão tentando implantar no Brasil mostram como esse é um tema que nunca envelhece. Ler o ‘Manifesto’ nos ajuda a pensar um pouquinho mais criticamente acerca desse assunto.

Temos que admitir que Marx foi um homem muito inteligente. Ele já falava sobre globalização desde o século XIX. Mesmo criticando, ele demonstrava admiração pelos feitos alcançados pelo capitalismo e pela sociedade burguesa, que sempre precisou se revolucionar para avançar.

Viver em prol de se enriquecer, ser ganancioso ao extremo, é algo que atrapalha as relações sociais, transformando tudo e todos em meros objetos, mercadorias. Já era algo criticado pelos autores naquela época, não há como ser mais atual do que isso.

Seja para discordar ou concordar, ler esse livro nos coloca para pensar.

“Ao longo da história, a burguesia desempenhou papel altamente revolucionário. Onde quer que ela tenha chegado ao poder, a burguesia destruiu todas as relações feudais, patriarcais, idílicas”. p. 46

Sobre a edição

Como toda a coleção de clássicos publicados pela parceria entre a Penguin e a Companhia das Letras, trata-se de uma edição brochura, com capa mole e sem orelhas, impressa em papel Pólen Soft, com uma boa diagramação.

A tradução foi feita direto do original em alemão, por Sergio Tellaroli. É uma excelente tradução. Texto claro e coeso. A intenção de Marx e Engels era atingir os trabalhadores comuns, por isso o texto é simples e fácil de ler.

Encontramos alguns extras nessa edição, como notas de Friedrich Engels, as variações entre as edições do ‘Manifesto’ em alemão, introduções escritas pelos autores para as edições publicadas em diversos países da Europa e um posfácio escrito por Marshall Berman, um filósofo e professor marxista. Além disso, Ricardo Musse fez uma revisão técnica no texto traduzido. Houve capricho nessa edição.

“A tarefa do Manifesto comunista era a de proclamar a inevitável e eminente dissolução da moderna propriedade burguesa”. p. 12

Conclusão

Mesmo que eu não concorde com o livro, digo foi uma leitura boa. O marxismo influenciou o mundo, conhecê-lo é conhecer a história moderna. O ‘Manifesto’ possui muitas das ideias de Marx, o que vai ajudar a compreender o mundo atual, principalmente o Brasil, e a história do século XX, principalmente.

É uma leitura rápida e fácil. Recheado de polêmicas, esse é um livro que merece ser conhecido e lido sem qualquer tipo de ideologia ou preconceito. Conhecimento nunca é demais, leia aquilo que você concorda e aquilo com o qual você discorda, tenho certeza que isso apenas lhe fará bem.

Minha nota (de 0 a 5): 3,5

Alan Martins

manifesto_comunista_meu
A arte da capa é uma espécie de charge, ficou bem legal.

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